Trupe Olho da Rua leva o teatro à praça pública


Há oito anos a Trupe Olho da Rua leva o teatro para as praças públicas da Baixada Santista, no litoral de São Paulo. O trabalho, que já tem rendido bons frutos, também enfatiza a importância política, na medida em que são ocupados os espaços públicos das cidades.

Surgido em Santos, o grupo começou a ser formado como um grupo de estudos das tradições populares da cultura brasileira, como o circo mambembe. Como conta o ator Caio Martinez, no início não havia a preocupação política com o fato de se levar o teatro às ruas. “No ano seguinte já começamos a ver a importância e a força de se ocupar o espaço público. Percebemos que, com ações como essa, a cidade passa a redimensionar os espaços como vivos, e não apenas locais de passagem”, conta.

De início, como lembra Caio, os locais de apresentação se resumiam ao centro urbano, onde estão os trabalhadores, e aos espaços turísticos, como a orla da praia, locais em que o público já conta com manifestações culturais e de entretenimento. Em seguida, porém, o grupo começou a procurar os espaços públicos de bairros descentralizados, de periferia, em geral não habituados a receber apresentações culturais. “Víamos naqueles locais um descaso do poder público, como sempre houve, e iniciamos um diálogo com as comunidades, como sociedades de melhoramentos, agremiações, ONGs, sindicatos, para que pudéssemos mostrar nosso trabalho”. Ao longo dos anos foram feitas parcerias com órgãos como Movimento dos Sem Terra (MST), sindicatos de classes como bancários, metalúrgicos e trabalhadores portuários, entre outros.

A natureza e a consciência do trabalho da trupe fez com que eles tivessem um posicionamento bem claro em não solicitar ao poder público permissão para ocupar as praças de Santos. “Pedir permissão seria reconhecer que o poder público é dono dos espaços”, diz Caio. Em 2004, no entanto, houve um problema: no meio de uma apresentação, a polícia interveio e ameaçou interromper o espetáculo, alegando que não havia permissão para a utilização daquele local, no Gonzaga, bairro nobre de Santos. A apresentação continuou porque o público, de cerca de 150 pessoas, “comprou a briga” e disse que não havia problemas no fato do grupo se apresentar ali. O episódio chamou a atenção da Câmara dos Vereadores, e a partir daí a Trupe Olho da Rua passou a ter maior diálogo com a prefeitura.

Com o início pedindo “grana no chapéu” para ajudar nas despesas do grupo, depois de três anos a trupe se profissionalizou juridicamente, o que possibilitou a inscrição de projetos em editais, bem como a contratação de apresentações do grupo. Fora isso, os integrantes da trupe dão aula de artes cênicas, o que permite que, atualmente, eles possam viver do teatro. “Mantemos nosso posicionamento em não encarar o trabalho com fins comerciais. O fato de cada um ter seu emprego, dando aula, também ajuda nesse sentido”, conta Caio.

O engajamento político da trupe é uma constante nos grupos de teatro de rua. A trupe participa do Movimento de Teatro de Rua de São Paulo e da Rede Brasileira de Teatro de Rua, única organização de grupos de teatro a nível nacional. Como conta Caio Martinez, “depois do período da ditadura e da onda neoliberal, os grupos perderam um pouco da organização. Agora o movimento teatral está se fortalecendo, fazendo pressão para a conquista de políticas públicas”.

No início de 2011, a trupe realizou a II Mostra de Teatro Olho da Rua, com apresentações em locais turísticos e na periferia de Santos. O festival trouxe grupos de várias cidades de São Paulo, e também de outros estados. Patrocinado pela Funarte (Governo Federal) e prefeitura de Santos, a mostra é só um exemplo das dificuldades que até hoje os grupos passam: o dinheiro da Funarte, que deveria chegar em outubro do ano passado, não havia sido depositado até o fim da mostra. “Mesmo assim os grupos participaram, porque sabem como funciona o poder público”, conta Caio.

Dificuldades à parte, o trabalho da Trupe Olho da Rua rendeu um grande reconhecimento: a Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) concedeu prêmio na categoria Grupo Revelação de 2010. E o trabalho da trupe em Santos já ajudou na formação de outros dois grupos de rua na cidade. “A população é ávida por teatro, e a cidade é um grande palco a céu aberto”, considera Caio.

O blog do grupo é www.trupeolhodarua.blogspot.com

Amor e Revolução: um fiasco ou resgate da memória?


Com muita coragem…

Quem está acompanhando a nova novela do SBT que pretende fazer um resgate histórico dos anos de chumbo cujo nome Amor e Revolução, já pôde perceber nestes dois capítulos iniciais que esse folhetim é mais uma caricatura romântica e oportunista que não levará a lugar algum (e isso nada tem haver com pessimismo). Mas é que antes do lançamento dessa novela criou-se uma ilusória expectativa da importância dessa discussão na telinha de vidro (seja lá de que forma como esse assunto fosse tratado) inclusive muitos blogs e sites progressistas discutiram essa questão, ressaltando e apoiando. Oh! Doce ilusão! Parece que nem se lembram de Anos Rebeldes mini-série da Rede Globo.

Enfim, sabemos que a época é outra e está em curso o abaixo-assinado pela abertura dos arquivos da ditadura e, esperamos profundamente que esse folhetim contribua para abrir esses arquivos, mas não sejamos tolos em acreditar que é por meio dessa novelinha do magnata Silvio Santos que reconstruiremos nossa história e colocaremos na cadeia os generais de pijamas, que estão gozando de aposentadorias gordas à custa dos trabalhadores desse país.

A história se constrói dia a dia na luta, no embate com o inimigo, ocupando e revolucionando todos os espaços, de forma alguma o inimigo fará por nós, até porque, será que nessa novela o senhor Silvio deixará ser abordado que os meios de comunicação no Brasil apoiaram o golpe militar? E o unico meio de comunicação que combateu foi a TV Excelsior? Que caiu por terra com os ataques militares, golpes financeiros, desvios de equipamentos para a TV Gazeta e por fim corte de concessão onde os militares repassaram ao SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) num sistema de concorrência pública fajuta.

Olha só que coisa, só um pouquinho de história para confrontarmos as contradições existentes. E aí? Dá para levar a sério essa estória pra boi ir dormir? Claro que não! No entanto, temos que aturar esses entendidos caricaturando e lucrando com a história. NOSSA HISTÓRIA!!!

Cultura Break: instrumento de manifesto fundamental e providencial para a juventude periférica.


O Break como qualquer outra manifestação artística oriunda das ruas, sofreu preconceitos e acabou sendo inicialmente marginalizado. Mas mesmo com chutes na perna e geral da polícia, muitos guerreiros e guerreiras continuaram em pé mostrando que essa forma de se expressar por meio da dança, além de ser uma cultura legitima e muita rica pela originalidade e criatividade, tem muito de positivo a contribuir com a sociedade.

Início

A cultura Break surgiu inicialmente em Nova Iorque (E.U.A) nos bairros pobres onde moravam negros e imigrantes latinos, mais conhecidos como guetos, esses bairros periféricos eram carentes de educação, segurança, cultura e espaços de lazer.

Frente ao caos é certo dizer que:

É nestes momentos que surgem pessoas cheias de criatividade que fazem daquilo que lhes faltam, armas para garantir a sobrevivência.

Assim…

Eis que surgem jovens que começaram a promover festas de rua misturando dança e música, inicialmente isso acabou fazendo surgir as gangues de rua que disputavam territórios, mas conforme o movimento foi crescendo e influenciados pelos latinos vindo da Jamaica, a música regaae acabou trazendo teor político para as letras e com o tempo essa galera começou a utilizar a poesia, a dança, a música e a pintura para discutirem sua realidade. Daí surgiria à cultura Hip Hop.

Com isso,

“As gangues foram encontrando naquelas novas formas de arte uma maneira de canalizar a violência em que viviam submersas, e passaram a freqüentar as festas e dançar break, competir com passos de dança e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika Bambaataa, considerado hoje o padrinho da cultura hip-hop, o idealizador da junção dos elementos, criador do termo hip-hop e por anos tido como “master of records” (mestre dos discos), por sua vasta coleção de discos de vinil.” WIKIPÉDIA

No Brasil

Na década de oitenta a cultura Hip Hop encontrou ambiente favorável para fincar raízes no Brasil, precisamente em São Paulo na Rua 24 de maio e no metro São Bento, onde grupos de jovens de diversas partes da periferia de São Paulo se encontravam para dançar, cantar e discutir suas realidades.

Hoje, o movimento não é visto com olhares de preconceito como antes, a cultura Hip Hop ganhou respeito e espalhou-se pelo país inteiro. Mas a realidade ainda continua problemática, por isso o seu papel enquanto instrumento de manifesto é tão fundamental e providencial para a juventude periférica.

Confira a matéria com o grupo Break Dance da Baixada Santista:

Reflexão e ação: Nós somos a revolução em movimento!


Quem esteve na sintonia das três últimas edições do programa Reflexão e ação da Rádio da Juventude, pôde estar acompanhando as discussões referente a atual realidade dos movimentos sociais no Brasil, em particular na região. O programa com a intenção de jogar lenha na fogueira e com intuito de provocar os militantes da região sobre como eles estão se organizando, e de que forma esses movimentos podem se unir e construir lutas juntos, resolveu partir para essa briga numa série de quatro programas, sendo que o último será neste sábado dia 19/05 com o tema “Pra que mais um comitê de lutas?”

Estiveram presentes nestes três programas, Edileuza, Valeska e Flávia CES (centro dos estudantes de Santos), Samira PJ (Pastoral da Juventude) Jesus estudante de Publicidade,  Simone Educadora Popular, Tamiris ANEL, Fábio e Ornella Rádio da Juventude.

Os principais apontamentos levantados nos três programas foram:

* a necessidade de formação de unidade entre todos os movimentos para construir lutas juntos

* o resgate da consciência de classe

* o resgate da memória histórica das lutas para fortalecer identidade

* o respeito recíproco dos movimentos  para trabalhar juntos

* formação militante para compreender a realidade

* ocupar os espaços midiáticos para fortalecer a luta, fazendo frente aos convencionais que criminalizam os movimentos

* entender que o processo revolucionário não é imediato, mas também é pedagógico e se faz na luta

* acertar o que queremos, é derrubar o Estado em busca de uma nova organização social? Ou uma reforma basta?

* assumir o papel de ir pra rua instigar a população a lutar, sem frustração pelo fato de sermos poucos

* os movimentos precisam estar em conexão contínua trocando informações e pensando ações juntos

Quem quiser conferir os programas, seguem os links A importância de se manifestar, Militância estudantilConstruir lutas

OBS: O tema “Pra que mais um comitê de lutas?” É uma provocação em relação a formação do Comitê de Lutas pelo transporte público da Baixada Santista, iniciativa de organizações e cidadãos que vem articulando em Santos e São Vicente atos de protesto referente ao aumento da tarifa do busão (inclusive a Rádio da Juventude) Não percam!

A luta revolucionária é um esforço continuo de aprendizagem, embates e sacrifícios. E não fazemos sozinhos!

#Antiquário – Cassia Eller


Cássia Rejane Eller a eterna garotinha teve seu interesse pela música aos 14 anos quando ganhou seu primeiro violão de presente. Fã incondicional dos Beatles aos 18 anos Cássia chegou a Brasília cantou em coral, fez testes para musicais, trabalhou em duas óperas como corista, além de se apresentar como cantora de um grupo de forró. Cássia Eller também fez parte por dois anos do primeiro trio elétrico de Brasília denominado Massa Real, tocou surdo em um grupo de samba. Cássia Eller despontou no mundo artístico no ano de 1981 ao participar de um espetáculo de Oswaldo Montenegro.

Era conhecida pelo seu ecletismo musical, interpretou canções de grandes compositores do rock como Cazuza, Renato Russo, alem de artistas da MPB como Caetano Veloso, Chico Buarque, passeou pelos sambas de Riachão interpretou obras de Arrigo Barnabé e Wally Salomão e os rocks clássicos de Jimi Hendrix, Rita Lee, Beatles, John Lennon, Nirvana e o pop do seu eterno amigo Nando Reis.

Teve uma trajetória musical muito importante, embora curta, com algo em torno de dez álbuns em doze anos de carreira. Cássia Eller sempre teve uma presença de palco bastante intensa, assumia a preferência por álbuns gravados ao vivo e ela era convidada constantemente para participações especiais e interpretações sob encomenda, singulares, personalizadas.

Era homossexual assumida e morava com a parceira Maria Eugênia Vieira Martins, com a qual criava o filho Francisco (chamado carinhosamente de Chicão).

Apesar de se assumir ser lésbica, ela teve seu filho com o baixista Tavinho Fialho. Ele faleceu em um acidente de carro meses antes do nascimento de Francisco. Maria ficou responsável pela criação do filho de Cássia após a morte de sua companheira.

Confira no link como foi essa grande homenagem a Cassia Eller com a banda Lotus no  Programa Antiquário

Poesia: Seguiremos adiante? Companheir@s.


Neste  primeiro de abril cinzento de pouco sol

Pergunto a todas e todos

Seguiremos adiante?

Por onde? Pra onde? E como?

Afinal, os homens de playa Giron

Hoje, mais parecem poesias soltas

 

Irreais e tão distantes

 

A revolução que tanto desejamos

Nem cabe mais na pauta

Parece que o saudosismo

Cospe desesperança

Será,

medo ou falta de entendimento?

 

Cada caminho dissidente

Que nós revolucionários  criamos

Resumi-se em mais um “nada”

E a quem fortalece?

Repito então, seguiremos adiante?

Construindo nossa história

Ou  nem poesia solta seremos?