Seminário: A Crise Estrutural do Capital e os Desafios Atuais da Classe Trabalhadora.


Com cerca de mil participantes entre movimentos sociais, organizações sindicais e estudantes, no dia 11 de junho no Clube Semanal de Cultura Artística, centro de Campinas, foi realizado pelo (MST) Movimento dos Trabalhadores Rural Sem-Terra, um seminário com a participação do escritor Húngaro István Mészáros, autor do livro “Para além do Capital”, que atualiza as ideias de Marx e Engels, e com a participação de Ricardo Antunes, professor da Unicamp, pesquisador da atual condição dos trabalhadores no mundo trabalho e Virgínia Fontes, coordenadora de cursos da Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST. O tema do seminário foi “A Crise Estrutural do Capital e os Desafios Atuais da Classe Trabalhadora.”

A abertura do seminário foi por meio de um poema que denunciava a exploração do capital financeiro sobre os povos, destruindo culturas e devastando todo o planeta, dando o tom do debate que seguiria durante toda a manhã, conduzido por Mészáros e continuaria à tarde com Antunes e Fontes.

A visão critica ao momento histórico

Um dos principais apontamentos do seminário é que diante de toda a crise estrutural capitalista as contradições não diminuem se acirram. O exemplo disso é em plena crise o sistema capital simplesmente recrudescer ainda mais e atirar gerações inteiras ao caos, como estão acontecendo na Grécia, Portugal e Espanha, acentuando a crise que irá afetar diretamente a classe trabalhadora em escala mundial (como já está ocorrendo)

Mészáros iniciou sua fala dizendo que é preciso uma transformação radical por meio do ser revolucionário sujeito da historia, que possua estratégia, projeto e organização. Assim, como é necessária uma articulação internacional e mobilização das massas, não só enquanto resistência, mas como ofensiva. Somente desta forma será possível tomar o controle social e erradicar o capital que é muito mais que um sistema monetário, ou seja, ter em vista que a mudança é radical, pois não se pode ajustar o sistema, afinal o capital é também uma força cultural e religiosa que está representado no parlamento e também extra parlamentar. Por isso, é importantíssimo que os movimentos sociais discutam rumos de como construir caminhos para um mundo além do capital que segundo ele “vivemos num momento de crise estrutural, é da natureza do capital que essa crise não se resolva, a prova disso foi assistir os governos investir em empresas trilhões para salva-las […] Os EUA, por exemplo, gastou a soma de quinze trilhões numa crise financeira fraudulenta, é um valor astronômico que eles nunca irão pagar, e isso é somente a ponta do iceberg […] É preciso romper com esse sistema que está pondo em risco nossa própria sobrevivência na terra, e criar uma ofensiva de massas com posições revolucionárias […] esse movimento já começou e a América Latina está à frente desse processo de construção de um novo sistema.”

Para Mészáros a tomada de controle social é a tomada de controle de nossas vidas, que se traduz em participação e orientação de controle de produção. Produzindo apenas o que é necessário para a vida humana. E isso dentro da lógica capitalista nunca será possível porque ocorre o inverso, se antes o capital destruía e se vangloriava com o progresso – destruição produção, ao longo da história essa lógica caiu por terra. No entanto, hoje ele constrói novos discursos para justificar e se defender – produção destrutiva. O que é uma grande farsa porque não existe desenvolvimento sustentável enquanto a finalidade de produção for pautada pelo lucro.

Os EUA, por exemplo, um país falido que nunca irá pagar sua dívida investe em políticas belicistas, produzindo guerras e querendo a qualquer custo importar sua crise financeira por meio de políticas econômicas protecionistas (desvalorização do dólar)

O que Antunes chama de “o inferno da competitividade, que se traduz em enxugar o Estado, mercantilizar os serviços públicos e saquear, explorar e explorar, ampliando a precarização do trabalho e desarticulando toda a classe trabalhadora, o que Marx chamou de exército de reserva, hoje o capital absorve e o transforma em informalidade, subemprego, part time, temporário, terceirizado […] arrebenta […] com toda essa totalização da exploração, como resgatar o pertencimento de classe? […] Paz, terra e pão era o lema da Revolução Russa, aquilo que unificou as massas, e hoje? É trabalho, tempo livre, derrubar os transgênicos, o agronegócio, reforma agrária, urbana […] tudo isso são questões vitais e desafios que os movimentos sociais, organizações precisam entender como parte da luta para derrubar este Estado Capitalista que está nos esmagando”

E Fontes acrescenta “A forma de expansão do capital é nossa devastação. Dentro deste sistema só pode existir incontrabilidade total da vida social, temos que decidir que tipo de desenvolvimento nós queremos: financiar transnacionais, destruir recursos naturais, vender a força de trabalho, mercantilizar tudo, ou construir lutas para subverter essa ordem?”

Eis o grande desafio.

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