Moção da discórdia inflama final do processo da II Conferência de Juventude da Região Metropolitana da Baixada Santista


Catharina Apolinário
Jornalista e fotógrafa

Neste último final de semana aconteceu a da II Conferência de Juventude da Região Metropolitana da Baixada Santista em Praia Grande. Como jornalista e membro de um conselho de Juventude de nossa região gostaria de compartilhar com aqueles que não puderam estar presentes a minha indignação com alguns fatos.

Observei muitas propostas boas, importantes, e me senti orgulhosa da participação ética e compromissada dos jovens que ali estavam presentes. Tirando, é claro, aqueles que apenas foram até lá para serem um voto e passaram a tarde “arrumando o que fazer nos cantos da escola” Vila Mirim. As propostas realmente foram ao encontro do que a juventude precisa e deseja.

Fato é que vi muita gente trabalhando com afinco, e a estes, meus parabéns. Porém, vimos um “q” de desorganização em alguns pontos, partindo das refeições para aqueles que pernoitaram na cidade. A Conferência começou no sábado e foi até as 19 horas de domingo. Foi oferecido ano sábado uma refeição que, usando o próprio linguajar dos jovens “não segurou a onda” da fome da galera. O almoço no domingo não tinha opção para vegetarianos que tiveram que ficar a base do arroz e um pouco de salada.

Muitas propostas estavam colocadas nos eixos errados, impossibilitando assim que fossem contempladas na discussão do eixo. Não havia cópias das propostas nos eixos de trabalho, apenas uma, e cada eixo tinha sub-eixos. A discussão em grupo ficou prejudicada. Muitas pessoas da organização não tinham clareza do regimento e davam informações erradas. Não havia um regimento disponível no sábado, e muito do que foi colocado nele não foi cumprido.

Estas e outras situações não tornaram ilegítimo o processo de discussão das propostas por aqueles que saíram de suas cidades para debater políticas públicas para juventude, mas não facilitaram sua realização.

Desta forma, mesmo entendendo que todo processo pode ter falhas e que aprendemos com nossos erros, e ainda levando em consideração que esta é a segunda conferência, que a maioria dos conselhos de juventude estão “engatinhando”, foi elaborada, com a participação de representantes de 5 cidades da região, uma moção OPINATIVA sobra a organização. O conteúdo da moção era apontar algumas falhas e sugerir algumas soluções.

Pois esta moção gerou uma instabilidade desnecessária. Desnecessário a forma como foram tratadas as pessoas que a apresentaram, desnecessária a atitude de algumas pessoas ao se depararem com críticas, desnecessária a ação de gestores municipais, que deram exemplo de violência perante os jovens ali presentes. Segundo o regimento, com 20% dos presentes assinando a moção ela seria válida e iria para votação no plenário. A moção teve 86 assinaturas, o que a tornava legítima para discussão e votação.

Violência antidemocracia

A parte mais triste vem agora. No auditório onde acontecia a plenária final, um membro da Juventude de Guarujá, Fábio Antunes, arrancou a moção da mão de um menino de dez anos que acompanhava a mãe, ambos de Guarujá. Ao observar tal atitude, o representante de Itanhaém, Bruno Pinheiro, passou a repreender o rapaz afirmando que não poderia fazer e tratar daquela forma uma criança de dez anos. A discussão se voltou para a mãe, Aglai Viriato, que foi humilhada e ameaçada. Neste momento, surge um gestor de Mongaguá, chamado de Mirabeli, já chamando o Bruno Pinheiro para “a mão lá fora”. O rapaz afirmou que era preciso conversar e não usar de violência. Muita gente veio segurar o “touro bravo”, e a confusão acabou quando o senhor Danilo Otto afirmou que aquilo era uma democracia e que haveriam de aceitar a moção se estivesse de acordo com o regimento. Aplaudido e aclamado. Todos então voltaram ao plenário e o discurso mudou.

Mas, na ocasião de apresentar e colocar a moção em votação, o representante do Condesb, Danilo Otto, fez questão de ler ele próprio. O que já era uma irresponsabilidade já que a moção tecia críticas, sutis, à organização e comissão organizadora, da qual ele era chefe, e reforço a palavra chefe.

A moção foi lida, o representante de Itanhaém, Bruno Pinheiro teve a palavra e se desculpou pelo ocorrido lá fora, mas lamentou a postura violenta de um gestor perante a juventude. Neste momento, o gestor Mirabeli desceu como uma bala pelas escadarias do auditório, numa clara postura de agressividade, inclusive visíveis nas fotos que esta reles jornalista tirou.

Junto com ele alguns leões de chácara que estavam ali para garantir que ele (Mirabeli), não tomasse nenhuma atitude que pudesse comprometê-lo. Enquanto ele descia os seus gritavam, numa demonstração nada democrática “ih fora!” para o rapaz que apresentava a moção. E muitos gestores municipais incentivavam essa situação correndo pelos corredores e pulando gritando a mesma coisa. Identifiquei ali, inclusive com pesar, representantes do Guarujá.

Enquanto a mãe da criança se desculpava. O Sr. Mirabeli xingava e ameaçava o Bruno Pinheiro, que se mantinha calmo e pacífico, buscando apenas o diálogo. Os xingamentos e ameaças ao rapaz me pareciam preconceituosos.

Foi então, que numa atitude irresponsável, o Sr. Danilo Otto inflamou a juventude presente a se revoltar contra os que eram a favor da moção. A postura dele naquele momento, diferente do que era necessário e ético, se assemelhava a posição de um líder grevista sobre um carro de som, inflamando a multidão contra a moção e contra as pessaos que a apresentavam.

Inclusive, em seu discurso, ele tentou desqualificar uma entidade séria, Ecosurfi, desprestigiar seu trabalho e acusá-la de tentar implodir o processo da conferência. O Sr. Mirabeli também usou o microfone, para dizer que o Bruno Pinheiro (quem conhece sabe) havia ameaçado de agressão o representante de Guarujá Fábio Antunes. Mas nessa hora a coisa já estava tão sem regras, que muita gente não ouviu mais nada daí pra frente. Com demonstração de ironia, O sr. Danilo Otto, ainda concedeu o microfone para a defesa de Bruno Pinheiro por causa da acusação contra a entidade Ecosurfi.

Algumas representantes da juventude de SV, mulheres, gritavam e pulavam como loucas dizendo, “vem fazer melhor então”, e começavam a estimular um grito da juventude de SV. Me parecia uma torcida organizada, pasmem. Portanto, neste momento, o samba do crioulo doido estava instituído. E na ânsia de separar a briga, algumas pessoas acabaram também envolvidas e ameaçadas. Isso gerou revolta de muitos que são a favor da democracia. Que se indignaram com a falta de bom senso dos gestores do processo, inclusive membros da organização.

Meu desabafo vem certo de que haverá represália em todos os sentidos, tendo observado a postura de algumas pessoas. Inclusive, algum jovens não assinaram a moção com o argumento de que seriam prejudicados politicamente. Mas é melhor compartilhar e viver o risco, do que ser conivente com a mentira e a violência sem limite.

A juventude tem sede de democracia e quer ter voz, a transversalidade dos processos deve ser respeitada e a finalidade desta conferência foi violada em sua essência.

Eu acredito na mudança. O que tem por trás desta história toda? A quem interessa manipular o processo? A quem interessa calar a voz da entidades e da juventude? Que tipos de interesses pessoais estas pessoas guardam em seu íntimo, para que tentem suprimir vozes que gritam por democracia?

Extremamaente triste…

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Roda de samba com “Nono Samba” e discotecagem com “Dj Caiaffo”


É isso aí,  galera… FESTA!!! 😀

Sábado, 1 de outubro · 16:00 – 21:00, vai rolar muito SAMBA DE RAÍZ com o grupo “Nono Samba”, formado tb por alunos da UNIFESP – Santos e discotecagem  com Dj Caiaffo, do “Futuráfrica Afrobraziliangrooves”.

Roda de samba com "Nono Samba"Organizada de forma autônoma, a festa objetiva contribuir com a construção do Seminário do Tribunal Popular da Terra, na Baixada Santista, onde será discutido as questões ambientais e indígenas, habitação, especulação imobiliaria e a reestruturação das cidades com a desculpa dos mega eventos e a exploração do Pré-sal.

Participe da festa e colabore com a construção do Seminário!

Sábado, 1 de outubro · 16:00 – 21:00
Local: CES – Centro dos Estudantes de Santos – Av. Ana Costa, 308 (ao lado do Extra)
Entrada: 5 reais + doação de alimento não perecível, roupa ou material escolar (para as tribos indígenas da Baixada Santista) com direito a uma cerveja ou refrigerante.

Evento no facebook:  http://www.facebook.com/event.php?eid=259080517464362

Até lá!!!

O que são alimentos transgênicos? Fazem mal? Como identifica-los?


Fonte: O libertário

Vá até a sua dispensa, verifique a existência do símbolo ao lado em algum de seus alimentos.

Você sabe o que ele significa?
Alimento Transgênico, não é isso?

Apesar de estarem tentando esconder isso de nós, o Ministério da Saúde sabiamente aprovou o Decreto nº 4680/03 e a Portaria nº 2.658/2003 que determinaram a obrigatoriedade da rotulagem de produtos com mais de 1% de transgênicos em sua composição.

Porém, apesar da obrigatoriedade, ninguém que eu conheça sabe o que significa este símbolo, ou seja, colaram uma figurinha nos produtos e não disseram o que ele significa. Claro lobby da Monsanto…

Alimentos Transgênicos são todos os alimentos geneticamente modificados.
De acordo com a FDA, esses produtos não podem ser destinguidos dos demais pelo fato de serem “iguais” ao alimentos não transgênicos, mas vários estudos demonstram contradições nos relatórios da FDA.

Há mais informações sobre Alimentos Transgênicos no site transgenicosnao.blogspot.com

Se fazem mal, bem, deêm uma olhada em como a Monsanto agiu durante seus anos dourados e veja que ela sempre escondeu a verdade sobre diversos de seus produtos.
Os documentários que mencionamos aqui tem bastante informações referentes.

Monsanto é a maior empresa de biotecnologia do mundo (na marra), líder mundial em alimentos transgênicos, com 90% do mercado. Fabricante das marcas Roundup (herbicída líder a 30 anos), soja para roundup (soja roundup ready), aspartame (edulcorante substitúto do açúcar nos produtos diet), hormônio do crescimento (proibido no Canadá e na Europa), dentre outros produtos altamente tóxicos como o Agente Laranja (desfolhante utilizado na guerra do Vietnã), e PCB (conhecida no Brasil comoAscarel), uma substância extremamente tóxica, que foi proibida em 1971 nos EUA e 1981 no Brasil.

O Grupo Monsanto atua no Brasil por meio das seguintes empresas:
Monsanto do Brasil Ltda., Agroeste Sementes S.A., Monsoy Ltda., Monsanto Nordeste Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda., Alkagro do Brasil Ltda., Stoneville Brasil Ltda., Agroeste Participações Ltda., MDM Sementes Algodão Ltda., D&M Brasil Algodão Ltda., D&PL Brasil Ltda., Sementes Selecionadas Ad Ltda. e WestSeeds Participações Ltda.

O maior mito utilizado para legimitar o mercado dos transgênicos é que “o aumento de produção dos alimentos resolveria a fome”. Não precisa ser nenhum economista pra saber que o problema da fome e da miséria não é a escassez de alimentos, mas a má distribuição de riqueza produzida. Ainda mais em um novo modelo onde você terá de pagar royalties e taxas paras poucas transnacionais que monopolizam o mercado.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei dois documentários de tirar o fôlego, que já fazem parte de nossa lista de doumentários.
O primeiro foi Sweet Misery, sobre o aspartame, o qual aparentemente é a causa do aumento de doenças raras.

O segundo é O Mundo segundo a Monsanto, que demonstra claramente que estamos sendo engolidos pelo corporativismo selvagem, que transforma o ser humano em mais um obstáculo que precisa ser transposto.

Aos estudantes de direito, recomendo assistir ambos documentários, além de A Corporação, que também toca no assunto.

Cuidado, o seu alimento pode estar lhe causando doenças.

Consulta pública: Participe da construção de um novo marco regulatório para as comunicações brasileiras!


Fonte Intervozes

Entidades lançam plataforma para ouvir a sociedade sobre propostas para uma nova legislação da comunicação no país. Consulta está na internet até 7 de outubro.

A Constituição brasileira estabelece os princípios e regras mínimas que devem ser respeitadas pelos meios de comunicação de massa, ou seja, o rádio e a TV, que são concessões públicas. Por exemplo: não pode haver monopólio na mídia; as emissoras devem veicular programação regional e independente; a prioridade deve ser para conteúdos informativos e culturais; o país deve ter um forte sistema público de comunicação; o direito de resposta deve ser garantido; é vedada qualquer censura de natureza política e ideológica; etc

O problema é que até hoje a Constituição não é cumprida porque depende de leis específicas para isso. Ao mesmo tempo, as poucas leis que existem não são respeitadas ou estão ultrapassadas. Para se ter uma idéia, o Código Brasileiro de Telecomunicações é da década de 60, quando ainda assistíamos TV em preto e branco e internet era algo desconhecido.

Já passou da hora de mudarmos essa realidade e construirmos uma comunicação de fato democrática no Brasil, que garanta pluralidade, diversidade e liberdade de expressão para todos – não só para os donos da mídia. Em 2009, milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras participaram da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que teve como uma de suas principais resoluções a afirmação da necessidade de um novo marco regulatório para as comunicações no nosso país.

De lá pra cá, considerando os debates da Confecom, movimentos populares e organizações da sociedade civil aumentaram a mobilização em prol de uma nova lei geral para o setor. Ao mesmo tempo, o governo federal elaborou um projeto, que ainda não foi tornado público, mas vem sendo discutido no Ministério das Comunicações.

Para incentivar que o conjunto da população participe deste debate, dizendo que mídia quer para o Brasil, diversas organizações que historicamente lutam pela democratização da comunicação lançaram uma consulta pública na internet. A idéia – partindo de uma proposta inicial, com princípios, objetivos e 20 diretrizes – é construir um conjunto de propostas da sociedade civil para a legislação de comunicação, ou seja, uma plataforma da sociedade civil para o novo marco regulatório, que depois será apresentada ao poder público.

A consulta pública fica aberta até 7 de outubro e qualquer pessoa pode dar suas contribuições. Um documento final será consolidado para lançamento no Dia Mundial da Democratização da Mídia, 18 de outubro.

Convidamos todos e todas então a participar deste processo! Sua opinião é fundamental para que a diversidade brasileira – regional, étnico-racial, de gênero, orientação sexual, classe etc – também esteja presente nesta plataforma da sociedade civil. Entre no site www.comunicacaodemocratica.org.br e contribua com a consulta pública por um novo marco regulatório das comunicações. Vamos juntos construir uma mídia plural e verdadeiramente democrática!

O silêncio não pode mudar o mundo. Solidariedade com os meios de contrainformação


Fonte CMI
(A seguir texto do jornal de rua Ápatris e do meio de contrainformação independente Candia alternativa, sobre as ameaças contra a imprensa independente, motivadas pela última lei que remove o asilo universitário e a tentativa do Regime grego de suprimir o livre fluxo de idéias.) 
O Poder, como uma praga que elimina, contamina tudo o que toca, e a obediência, o pesadelo de qualquer carisma, virtude, verdade e liberdade, torna as pessoas escravas, e o homem uma máquina. (Shelley)

Mais uma vez o Indymedia de Atenas e outros meios de contrainformação são transformados em alvo do Estado. Com a promulgação da nova Lei de Educação Superior e a eliminação do asilo universitário, volta o ataque contra o Indymedia de Atenas, as ameaças e frenesis (através da cantilena já degenerada que “se cometem infrações penais pelo site”) de uma potencial invasão no campus acadêmico que abriga o servidor, pelos conhecidos fascistas-fachas do partido televisivo LAOS (que votaram a favor desta lei, recebendo as graças da Ministra), declarando em seu programa de televisão – um bazar televisivo de seus livros nacionalistas e conspirativos ? que: “a primeira coisa que vamos fazer agora que eliminou o asilo universitário é que entre a Polícia da Escola Politécnica Superior para desmantelar o Indymedia”.

A única coisa que eles merecem em resposta é que “quem ri por último ri melhor?. A questão não é se o Indymedia está em perigo ou não, mas que com métodos fascistas como este estamos correndo perigo como sociedade de começar a “medir nossas palavras” e ter cuidado com o que dizemos, então, se a nossa crítica afeta o Poder de alguns poucos e poderosos, corremos o risco de conseqüências imprevisíveis para a nossa liberdade individual.

Na verdade, este é o verdadeiro propósito da recente consulta do Ministro da “Justiça” M. Papaioannu e dos ex-promotores do Ministério Público Sanidás, Katsirodis e Tentes a respeito da extensão de levantar o anonimato das comunicações para os blogs e sites de opinião, bem como para delitos fora do campo criminal. A mensagem está enviada: “Cale a boca e baixe a cabeça, se não, a Lei está à espreita?.

Estamos chegando ao cúmulo da injustiça: quem cometeu uma injustiça o passa bomba, e aqueles que foram injustiçados, que certamente não queria cometer qualquer injustiça, são levados a indignação. Sua “democracia” em relação ao livre fluxo de idéias termina onde começa a prejudicar os interesses do Estado e dos patrões. Quando a informação fica fora de seu controle, se recorre à repressão direta ou indiretamente, para a delimitação desta “liberdade”. Uma limitação sistêmica, feita pelo Regime, que sempre entra em conflito com a liberdade exigida pelos rebeldes e os oprimidos de hoje.

Desde um ano e meio, vemos o strip-tease do Estado e a implementação das políticas neoliberais mais radicais, com o pretexto da crise econômica. O Estado se livrar de tudo, exceto a repressão, a sua roupa mais pessoal e preciosa. O Estado, que é baseado na repressão – em qualquer grau necessário para sua sobrevivência – determina o que é legal. Com base nas suas próprias leis pode legitimar o genocídio de seu próprio povo, se este está se rebelando contra ele, como foi visto nos distúrbios árabes recentes.

Estamos preparados para o que pode vir a acontecer, bem como para a ruptura definitiva com o sistema. Todos nós sabíamos que chegaria o momento em que a repressão do Estado atingiria o seu pico, mas não nos aterrorizam. Esbirros do governo, funcionários do império do dinheiro, podem destruir tudo, mas não conseguem convencer ninguém. Onde a inteligência é humilhada, as pessoas devem restaurar – começando com suas negações – pelo menos um pouco da dignidade da vida, frente à morte espiritual.

Já há alguns meses as pessoas levantaram-se do sofá, foram se reunir nas praças, os estudantes ocuparam as universidades, os trabalhadores estão se preparando para novas greves e o aumento do desemprego leva os jovens às ruas. Não temos medo de uma tentativa de silenciar um meio de informação, e se alguma coisa nos coloca em estado de alerta é o ataque constante que estamos recebendo a cada dia como sociedade, um ataque ao limitar os nossos direitos e de repressão a nível individual e coletivo. A sociedade que exige igualdade de direitos e de riqueza, uma sociedade em que o princípio da autoridade será abolido, tem o direito de não permitir qualquer ameaça ou intimidação, seja em nome de uma idéia, uma instituição ou de supostos interesses de todo o resto, e exatamente estes direitos são os que estamos defendendo.

E se nos tiram a voz, sempre haverá as palavras.

Solidariedade com o Indymedia Atenas e com todos os meios de contrainformação. Nossas vozes não podem ser encarceradas, a nossa palavra não pode ser suprimida!

Heraklion, Ilha de Creta, setembro de 2011.

Ápatris, Jornal cretense de rua

Candia Alternativa.info, Espaço de contrainformação independente, na Ilha de Creta

 http://apatris.info/
 http://candiaalternativa.info/

agência de notícias anarquistas-ana

O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.

Humberto del Maestro

Mordaça: Anatel fecha 60 rádios em duas semanas


Post de origem Diário Liberdade

[Rodrigo Noel] Funcionários contam com ‘apoio’ de dois agentes da Polícia Federal fortemente armados e do reitor da UFRJ para confiscar transmissores da Rádio Pulga

 Se fosse possível resumir em apenas uma palavra o que tem sido esse primeiro ano de governo Dilma, usaríamos REPRESSÃO. No início da tarde de hoje recebemos o triste informe da invasão do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ por quatro funcionários da ANATEL para confiscar o transmissor da Rádio Pulga, um dos vários movimentos culturais e de divulgação de informação contra-hegemônica presente há mais de 20 anos na universidade. Os funcionários e agentes da PF não contavam sequer com autorização judicial, assim como ocorreu com a Rádio Interferência, que funcionava no campus da Praia Vermelha.

Apesar da solidariedade de diversos estudantes que estavam presentes no momento, a chegada de representantes da Defensoria Pública e representantes de entidades do movimento social, não foi possível evitar o confisco dos equipamentos da rádio. Essa foi mais uma ação de repressão da ANATEL à comunicação livre e popular que conta com mais de 60 emissoras fechadas em menos de 2 semanas, segundo Jerry de Oliveira, diretor executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária-SP.

Há uma semana funcionários da Anatel tentaram o mesmo com a Rádio Muda, que funciona dentro da Unicamp, em Campinas-SP. Os estudantes usaram da boa criatividade e guardaram os transmissores ao perceberem a movimentação de agentes da PF pelo campus. Os homens, que chegaram em carro preto e vidros escuros, se negaram a fornecer o nome completo aos estudantes.

Aos amigos…

Essa mesma Anatel, que distribui uma série de benesses para as teles através do Plano Nacional de Banda Larga (que de larga não tem nada) e é tão complacente com as tarifas abusivas é a mesma que reinaugura a censura no Brasil ao impedir a comunicação popular e a liberdade de expressão.

A gestão do ministro Paulo Bernardo neste primeiro ano do governo Dilma tem se mostrado uma continuidade da política de repressão a comunicação popular e fechamento de rádios comunitárias Brasil adentro. Durante os dois mandatos de Lula fechou-se mais rádios até mesmo que no governo FHC, segundo dados do coletivo Intervozes.

Durante a ação na UFRJ ninguém foi preso. Até o momento nenhum integrante da Rádio Pulga foi indiciado e os equipamentos apreendidos foram levados para a Delegacia Fazendária da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá. Além de demonstrar toda solidariedade aos ativistas que lutam por uma comunicação mais democrática, precisamos denunciar esse tipo de ação repressora da Anatel.

Por que razão a Islândia deveria estar nas notícias, mas não está


Post de origem Diário Liberdade

O Diário – [Deena Stryker] Os povos que já se encontram sob ataque do FMI devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano. É por isso que já não aparece nas notícias.

A história que um programa de rádio italiano conta acerca da revolução que decorre na Islândia é um exemplo impressionante de quão pouco os media nos dizem sobre o que se passa no resto do mundo. Os norte-americanos lembrar-se-ão de que no início da crise financeira de 2008, a Islândia caiu literalmente na bancarrota. As razões foram mencionadas apenas de passagem e, desde então, este membro pouco conhecido da União Europeia caiu de novo no esquecimento.

Há medida que um país europeu atrás do outro atinge ou fica próximo de atingir a bancarrota, pondo em perigo o Euro e com repercussões para o mundo inteiro, a última coisa que os poderes em questão querem é que a Islândia se torne um exemplo. Eis a razão:

Cinco anos de um regime puramente neo-liberal fizeram da Islândia (população de 320 000 habitantes, sem exército) um dos mais ricos países do mundo. Em 2003 todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair o investimento estrangeiro, passaram a oferecer serviços on-line, cujos custos reduzidos lhes permitiram oferecer taxas internas de rendibilidade relativamente elevadas. Estas contas, designadas “IceSave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses. Mas, à medida que os investimentos cresciam, também a dívida externa dos bancos aumentava. Em 2003, a dívida islandesa equivalia a 200 vezes o seu PIB e, em 2007, era de 900%. A crise financeira de 2008 foi o golpe de misericórdia. Os três principais bancos islandeses, o Landbanki, o Kapthing e o Glitnir caíram e foram nacionalizados, enquanto o Kroner perdeu 85% do seu valor em relação ao Euro. No final do ano, a Islândia declarou a bancarrota.

Ao contrário do que se poderia esperar, da crise resultou que os islandeses recuperaram os seus direitos soberanos, através de um processo de democracia participativa directa, que acabou por conduzir a uma nova Constituição. Mas só depois de muito sofrimento.

Geir Haarde, primeiro-ministro de um governo de coligação social-democrata, negociou um empréstimo de dois milhões e cem mil dólares, ao qual os países nórdicos acrescentaram mais dois milhões e meio. Mas a comunidade financeira internacional pressionou a Islândia a impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia quiseram apoderar-se da sua dívida, alegando que este era o único caminho para que o país pudesse pagar à Holanda e ao Reino Unido, que haviam prometido reembolsar os seus cidadãos.

Os protestos e as revoltas continuaram, acabando por forçar o governo a demitir-se. As eleições foram antecipadas para Abril de 2009, resultando numa coligação de esquerda, que condenou o sistema económico neoliberal, mas logo cedeu às exigências daquele, de acordo com as quais a Islândia deveria pagar um total de três milhões e meio de Euros. Isto exigia que cada cidadão islandês pagasse 100 euros por mês (cerca de US $ 130) por quinze anos, a juros de 5,5%, para pagar uma dívida contraída por particulares perante particulares. Foi a gota de água que fez transbordar o copo.

O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro, que uma nação inteira deveria ser tributada para pagar dívidas privadas caiu por terra, transformando a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas, e acabando por trazer os líderes da Islândia para o mesmo lado dos seus eleitores. O Chefe de Estado, Olafur Ragnar Grímsson, recusou-se a ratificar a lei que teria feito os cidadãos da Islândia responsáveis pelas dívidas seus banqueiros, e aceitou o repto para um referendo.

É claro que isto apenas fez com que a comunidade internacional aumentasse a pressão sobre a Islândia. O Reino Unido e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis, que isolariam o país. Quando os islandeses foram a votos, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar poupanças islandesas e contas correntes. Como afirmou Grimsson: “Foi-nos dito que, se recusássemos as condições da comunidade internacional, nos tornaríamos na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, ter-nos-íamos tornado antes no Haiti do Norte.” (Quantas vezes escrevi que quando os cubanos olham para os problemas do seu vizinho, o Haiti, consideram que têm sorte.)

No referendo de Março de 2010, 93% dos islandeses votou contra o pagamento da dívida. O FMI imediatamente congelou o seu empréstimo. Mas a revolução (apesar de não ter sido transmitida nos EUA), não se deixaria intimidar. Com o apoio de uma cidadania em fúria, o governo colocou sob investigações civis e penais os responsáveis pela crise financeira. A Interpol lançou um mandado internacional de captura para o ex-presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson, à medida que outros banqueiros envolvidos no crash fugiram do país.

Mas os islandeses não pararam por aí: decidiram elaborar uma nova constituição que iria libertar o país do poder exagerado da finança internacional e do dinheiro virtual. (A que vigorava havia sido escrita quando a Islândia ganhou sua independência à Dinamarca, em 1918, sendo que a única diferença relativamente à Constituição Dinamarquesa a de que a palavra “presidente” a palavra substituiu a palavra “rei”.)

Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu 25 cidadãos, de entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Este documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet. Reuniões da Constituinte são transmitidas on-line, e os cidadãos podem enviar os seus comentários e sugestões, vendo o documento tomar forma. A Constituição que resultará deste processo participativo e democrático será submetida ao Parlamento para aprovação depois das próximas eleições.

Alguns leitores lembrar-se-ão de que a crise agrícola da Islândia do século IX foi tratada no livro de Jared Diamond que tem esse nome. Hoje, esse país está a recuperar do colapso financeiro de forma exactamente oposta àquela geralmente considerada inevitável, como foi confirmado ontem pela nova presidente do FMI, Christine Lagarde, a Fareed Zakaria. Foi dito ao povo da Grécia que a privatização de seu sector público é a única solução. Os povos da Itália, da Espanha e de Portugal enfrentam a mesma ameaça.
Estes povos devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.

É por isso que já não aparece nas notícias.

(Traduzido por André Rodrigues P. Silva para O Diário)