Programa do Jô a serviço do status quo


Em mais uma entrevista sem o menor apelo público (paga?), Jô Soares entrevistou nesta segunda o delegado geral da policia civil do Estado, Marcos Carneiro de Lima.

(É de se estranhar esta sequência de entrevistas com representantes do Estado.

Mês passado o governador Geraldo Alckmin esteve no sofá do apresentador)
O delegado chegou a surpreender por certas colocações, quando disse que muitas vezes o pobre é associado ao banditismo, que o Estado não se faz presente com educação, cultura e saúde nas periferias.

Talvez desnorteado, Jô Soares preferiu invocar o sistema anglo-saxão, que no seu entender seria melhor, com o município cuidando da segurança pública, já que o coitadinho do governador não teria como coordenar o setor em um estado como São Paulo.

No final da entrevista, sem a menor justificativa, o apresentador cita o “controle da mídia”, uma proposta que poderia ser implantada pelo governo federal, como uma forma de censura aos meios de comunicação democráticos, a favor da liberdade de empresa, como as Organizações Globo. “Esperamos que a presidente Dilma Roussef, que já esteve aqui, não aprove esta medida”, suplica ele.

Jô Soares não lembra de citar que a regulação de mídia acontece em todo o mundo, inclusive o venerado “anglo-saxão”, e impede, por exemplo, que políticos assumam o controle de tevês e rádios, e permite que grupos sociais prejudicados com informações falsas possam ter mecanismos para trazer a verdade à tona. Propostas como essas partiram não de um partido (aliás, interessa aos partidos deixarem as coisas como estão), e sim da sociedade civil em geral, na Conferência Nacional de Comunicação, de 2009. Desde então, nada mudou: os políticos continuam dominando as redes de tevê e rádio, o oligopólio da comunicação continua nas mãos de empresários, e restam poucas alternativas a entidades de bairro, organizações sociais e movimentos de luta em geral. Muitas vezes, a opção é a ilegalidade, por meio de rádios comunitárias, já que a legislação atual obriga que as associações entrem no jogo sujo político, e tomem um chá de cadeira de pelo menos 10 anos para ganhar uma concessão.

Por isso, senhor Jô Soares, a empresa que o emprega pode ser livre, mas a comunicação está longe disso!

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