Está na Constituição que todo poder emana do povo. Será?


É interessante como o sistema consegue criar mecanismos de participação popular que invertem as regras do jogo e amarram a real participação do povo.

O governo que está no poder, por exemplo, tem criado diversas formas radicais de participação (supostamente) popular, criação de secretarias, conselhos que possibilitam aberturas diretas para que os movimentos populares e os cidadãos participem ativamente com propostas, opiniões críticas e coisa e tal. Mas que, acima de tudo, participe da construção da tão sonhada sociedade justa e fraterna, onde o ser humano não seja mais uma mera mercadoria nas mãos do capital.

E assim vão se construindo conferências pelo país, que celebram a democracia e colocam os direitos previstos pela Constituição em prática.

A pergunta que quero fazer é apenas: com toda essa abertura popular, porque nada muda? É falta de uma maior participação?

Porque tudo que temos até agora são medidas assistenciais que não mudam a realidade, e pior ainda, mascaram a realidade vendendo ideias de que a vida melhorou. Mas de concreto, sabemos que está uma merda. É um tapa buraco aqui e abre outro ali.

Outra coisa. É  legítimo o que resulta dessas conferências? Realmente representa a população? Ou um pequeno grupo?

Sem inocência, numa análise radical chegaremos à conclusão que Estados e instituições sempre foram criados por grupos sociais que acreditam no direito de decidir por todos, com a bandeira de preocupação com o conjunto da sociedade.

Primeiro: essas conferências na verdade não passam de um mecanismo governamental de delegação dos problemas, ou seja, se as coisas estão uma merda é porque a população não participa da discussão apontando direções, apresentando projetos.

Segundo: São espaços partidários que disputam o poder para se manter no poder. (isso sem contar o espaço de cooptação e bajulação)

Por isso, a massa não participa, pois não é burra!

Contudo, o mais engraçado é que muitos acreditam nessas conferências, nessas mudanças dentro da ordem, (talvez acreditem em Papai Noel também) ou justificam que algo precisa ser feito enquanto a revolução não vem. E nunca virá, porque a mudança não se faz com palavras revolucionárias dentro da ordem, (isso é coisa pra inglês ver e depois votar).

Mas alegam que as pessoas precisam comer, e enfiam projetos sociais de todo o tipo, que atende as classes dominantes e massacra @s trabalhador@s.

É claro que @s trabalhador@s em suas condições precárias precisam comer, não há como recusar o assistencialismo, e uma coisa fique bem claro, quem produz a riqueza do mundo são @s trabalhador@s! Então não há esquizofrenia em aceitar e ser contra. O que não podemos aceitar é a ideia de que estamos caminhando. Oras, só se for para o abismo.

Por isso é de suma importância a construção do poder popular, em todas as instâncias. Mas o que é esse poder popular? Vamos tomá-lo? Construí-lo? Onde ele está?

Dentro de nós!

Ocupar e construir! Casas, escolas, fábricas, meios de comunicação… Enfim! Tudo de forma horizontal, livre, popular e apartidária.

E com essa Constituição vamos limpar o cu. Pois não há mudança dentro da ordem, e  governo algum fará algo pelo povo oprimido, muito menos conferência.

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