Continua a ocupação do MST em Americana-SP


Post de origem Passa Palavra

Acampadas desde 06 de agosto, centenas de famílias continuam a resistir nas terras griladas pela Usina Esther no município de Americana, em São Paulo. Por Passa Palavra

Diversos apoiadores têm prestigiado a ocupação: militantes de outros movimentos sociais, como da fábrica ocupada Flaskô, do MTST; parlamentares; estudantes.

Alguns professores demonstraram seu apoio, como Maria Orlanda Pinassi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Renata Gonçalves, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em aula pública na ocupação, o professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP), afirmou, através de levantamentos de dados e pesquisas, que a Usina Esther utiliza as terras como se fosse dela, mas não dispõe de documentos capazes de provar o título de propriedade, pois as terras são devolutas. Isto significa que as famílias estão acampadas numa área pública federal que, inclusive, já teve parte das terras destinadas à Reforma Agrária, em 2006, com a regularização do Assentamento Milton Santos.

Na aula que foi acompanhada vivamente pelos acampados, Ariovaldo ainda afirmou que os documentos de reintegração de posse são procedimentos normais na justiça brasileira, ainda que nem sempre o judiciário julgue de forma plena, com toda a documentação, pois a maior parte dos cursos de Direito no Brasil não ensinam mais o Direito Agrário. Portanto nem sempre a autoridade, que está lá para julgar, teve toda a formação para tal, fazendo-o com os documentos que tenha em mãos, acreditando que estes sejam suficientes.

O professor ainda discutiu sobre a propriedade privada da terra e o porquê da persistente desigualdade na sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que falou sobre o direito a terra. Também desmitificou os números de famílias assentadas nos governos de Lula, que longe dos 600 mil anunciados oficialmente, chegaram apenas a 158 mil famílias.

Apesar de ainda estarem no aguardo do possível despejo, as atividades no acampamento continuam, de acordo com a regional Campinas do MST:

No próximo sábado, 20-08, haverá o “Festival da Luta pela Terra” com uma intensa programação de atividades religiosas, políticas e culturais na ocupação. Pela manhã será realizada uma gincana e outras atividades de ciranda infantil com as cerca de 150 crianças sem terrinha. Na parte da tarde será realizado um Ato Ecumênico com a presença do Padre João Carlos da CPT (Comissão Pastoral da Terra) e outros pastores e religiosos. E durante a noite teremos uma noite cultural com fogueira, quentão e a participação de diversos grupos culturais e artísticos. No domingo 21-08, acampados e assentados da região irão participar, em conjunto com a Pastoral da Terra, da 13ª Romaria das Terras e Águas de São Paulo que ocorrerá em Santo Antônio da Posse.

Bispo justifica pedofilia: ‘tem criança que provoca’


Post de origem Pragmatismo Político

“Se ficares distraído, provocam-te”. Refere-se assim a meninos de 13 anos. O bispo Bernardo Álvarez encerra nesta justificativa a origem de um crime: os abusos sexuais contra menores.

Em uma entrevista concedida ao diário La Opinión de Tenerife, o bispo desenvolve a ideia até contestar à jornalista que, previamente, lhe tinha assinalado que “a diferença entre uma relação homossexual e um abuso está clara”. Por se persistirem as dúvidas, a entrevistadora recorda ao bispo que “um abuso é uma relação não consentida”. A resposta do prelado não deixa lugar para as dúvidas:

“Pode ter menores que sim o consintam e, de fato, há. Há adolescentes de 13 anos que são menores e estão perfeitamente de acordo e, além disso, desejando-o. Inclusive, se ficares distraído, provocam-te”. Na mesma conversa, o prelado apresenta, sem nuances, todos os preconceitos da Igreja católica contra os homossexuais. “É algo que prejudica as pessoas e a sociedade”, critica o bispo.

“Não é politicamente correto dizer que é uma doença, uma carência, uma deformação da natureza própria do ser humano”, descarrega Bernardo Álvarez, após se proteger em uma frase feita: “As pessoas são sempre dignas do maior respeito”.

Ainda assim, o titular da diocese de Tenerife chega a assegurar que, em ocasiões, a homossexualidade se pratica “como vício”. “Eu não digo que se reprima, mas entre não o reprimir e o promover há uma margem”, acrescenta. O porta-voz do prelado assinalou ontem ao jornal espanhol Público que “em nenhum caso pretendeu justificar nem compreender um fenômeno rejeitável”.

Papa Bento XVI é denunciado ao tribunal de Haia por vítimas de pedofilia


Post de origem Pragmatismo Político

Vítimas de padres pedófilos denunciam autoridade máxima da Igreja Católica em tribunal internacional por acobertar crimes sexuais contra crianças de todo o mundo

 
Uma associação norte-americana de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira (13) ter apresentado queixa ante oTribunal Penal Internacional (TPI) contra o papa Bento XVI e outros dirigentes da Igreja Católica por crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação SNAP, orientados pelos advogados da ONG norte-americana “Centro para Direitos Constitucionais”, entraram com uma ação para que o papa seja julgado por “responsabilidade direta e superior por crimes contra a Humanidade, por estupro e outros casos de violência sexual cometidos em todo o mundo”.

A organização acusa o chefe da Igreja Católica de “ter tolerado eocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças em todo o mundo”.

Além do papa, foram acusados três cardeais que têm ou tiveram responsabilidades de primeiro plano na Cúria: o secretário de Estado e segundo da Santa Sé, o italiano Tarcisio Bertone, seu antecessor Angelo Sodano, também italiano, e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o estadunidense William Levada, que sucedeu Joseph Ratzinger antes deste ser eleito papa, convertendo-se em Bento XVI.

À queixa acrescentaram 10 mil páginas de documentação de casos de pedofilia. Membros da SNAP provenientes de Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Bélgica, quatro países muito afetados pelo grande escândalo de pedofilia que envolve a Igreja, foram a Haia pedir a abertura desse processo judicial contra o papa e seus assessores “por sua responsabilidade direta como superiores hierárquicos”.

“Crimes contra dezenas de milhares de vítimas, a maioria crianças, foram escondidos pelos líderes nos mais altos níveis do Vaticano. Neste caso, todos os caminhos levam a Roma”, declarou a advogada do grupo, Pamela Spees.

Os bispos e, em alguns casos, o próprio Vaticano rejeitaram ou ignoraram muitas das queixas das vítimas de padres pedófilos. O escândalo desacreditou a Igreja em vários países na Europa. 

O papa Bento XVI expressou sua vergonha e pediu desculpas, apelando para a tolerância zero contra os pedófilos. Ele também pediu aos bispos do mundo, que têm a responsabilidade primária sobre seus sacerdotes, a plena cooperação com os tribunais criminais. 

A SNAP não acredita nesse desejo de transparência e justiça, e não moderou suas acusações. Em função disso, a organização iniciou nesta terça-feira (13) uma campanha de informação que levará seus integrantes a Amsterdã, Bruxelas, Berlim, Paris, Viena, Londres, Dublin, Varsóvia, Madri e Roma, onde pretendem “levar a queixa às portas do Vaticano”.