Comunidade Kaiowá Guarani sofre massacre na manhã desta sexta-feira (18)


Post de Origem: Cimi

Renato Santana
De Brasília

No início da manhã desta sexta-feira (18), por volta das 6h30, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, município de Amambaí, Mato Grosso do Sul, sofreu ataque de pistoleiros, cerca de 40, fortemente armados.

O massacre teve como alvo o cacique Nísio Gomes, 59 anos, (centro da foto) executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS.

As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade – em estado de choque. Devido ao nervosismo, não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito.

Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá.

A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira. “Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou.

A comunidade vivia na beira de uma Rodovia Estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Ameaças de morte na greve da Universidade Federal de Rondônia


Aos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região. Por Estêvão Rafael Fernandes [*]

greve_unirQuando achamos que a falta de bom senso e a impunidade chegaram a seu ápice, somos surpreendidos por mais descalabros.

Há pouco mais de 15 dias enviei a algumas pessoas um email (reproduzido aqui) rogando por apoio e buscando dar visibilidade a crise que se instaurou na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Supus, ingenuamente, que aos poucos o Governo brasileiro e as instituições responsáveis (Polícia Federal, Ministério Público, Ministério da Educação, etc.) fossem, de alguma forma, se sensibilizar pelo que tem ocorrido em terras rondonienses. Ledo engano.

Nestes 15 dias nada mudou para melhor. Ao contrário, o pânico se instalou e se intensificou. Prova disso está em dois fatos ocorridos hoje.

Nesta tarde uma aluna de psicologia, membro do comando de greve dos estudantes, foi surpreendida na porta de sua casa por homens encapuzados que lhe [disseram que] em breve ela morreria.

Além disso, um bilhete anônimo foi colocado sob a porta de diversos laboratórios e departamentos com os dizeres:

“NÃO ADIANTA CANTAR VITÓRIA ANTES DO TEMPO. MUITA ÁGUA AINDA PODE ROLAR… SEGUE ALGUNS NOMES QUE PODEM DESCER NA ENCHENTE DO RIO”

Segue-se uma relação de nomes de alunos e professores (entre os quais, eu).

unir_greveAos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região.

Peço, portanto, aos colegas, que nos ajudem a dar visibilidade a esses episódios brutais. Os ânimos aqui andam acirrados e alguns alunos e professores têm sido seguidos e/ou ameaçados (alguns, inclusive, têm dormido em casas de amigos ou parentes, com medo do que possa ocorrer). Aos que tiverem contatos em OnGs, entidades acadêmicas ou no Governo, ou mesmo os que queiram manifestar seu apoio publicamente por meio de moções, toda a ajuda é bem-vinda. Por favor, reproduzam esses emails a suas respectivas listas.

Não peço a nenhuma entidade que se manifeste contra ou a favor do movimento grevista, mas a favor da transparência nas investigações e no comprometimento do Governo brasileiro de que a segurança das pessoas que vem sendo ameaçadas seja garantida.

Como sempre, agradeço pela ajuda.

[*] Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia (CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil

latuff

Mais informações, acompanhe: http://comandodegreveunir.blogspot.com/

BASTA! VAMOS DIZER NÃO À TORPE USINA DE BELO MONTE!!


Belo Monte, ou um Feio Monstro?

O Governo Federal estabeleceu para si mesmo que 2011 seria o ano limite para início da instalação da usina de Belo Monte no rio Xingu.

Simbolicamente a ex-militante, ex-‘subversiva‘, ex-torturada, ex-idealista, mas o importante é o que ela se tornou, Dilma Rousseff recebeu numa pomposa cerimônia militar a insígnia de Grã-Mestra da Ordem do Mérito da Defesa, manteve os altos investimentos que sugam as Forças Armadas. Qual a relação deste fato com a questão Belo Monte?

A presidente Dilma repete os gestos que tanto marcaram seu período à frente da Casa Civil, controla com mãos de ferro (da mineração) o rumo do país exatamente rumo ao velho sonho desenvolvimentista da Ditadura Militar, falsos patriotas vendidos aos EUA (apesar de incapazes de admití-lo) da chamada integração nacional (“entregação” o país nas mãos do empresariado paulista e dos latifundiários sulistas) e da integração regional sul-americana sob as mãos do sub-imperialismo brasileiro, anunciando a vitória do modelo exportador de matéria-prima em total subserviências aos interesses do capital internacional.

Assim, insiste no modelo energético que destrói os rios amazônicos, impulsionando desastres sociais e ambientais, em nome de um suposto progresso que só pode atender às classes dominantes e o abastecimento das regiões Sul e Sudeste industrializadas.Dilma representa o próprio PAC, foi Ministra de Minas e Energia e está diretamente atrelada ao setor, amplia o modelo de uso do recurso público para fins privados via empréstimos do BNDES que são verdadeiras doações para benefício de pequenos grupos de empreendedores que multiplicam suas fortunas da noite pro dia, ousando até mesmo disputarem o ranking das maiores fortunas do mundo, num país com tanta miséria e exploração do trabalho. Ousam fazer isto às custas de termos um país com uma das maiores taxações tributárias do mundo e que por outro lado vive com a saúde e a educação mergulhadas no caos. Arrancando-nos o dinheiro dos suados impostos e da aposentadoria de nossos veneráveis anciãos para alimentar a fortuna desta cambada mais sem-vergonha do mundo, que é liderada pelo bilionário Eike Batista, o qual começou a fazer fortuna associando-se a garimperios da Amazônia (não à toa é filho de Eliezer Batista, ex-Ministro de Minas e Energia e ex-presidente da Vale do Rio Doce – Tráfico de Influência? Informações Privilegiadas?).

Mais uma vez ouvimos a mesma ladainha sobre o crescimento do país, e sempre é o povo que paga a conta do tal fermento para o bolo, para depois nos servirem apenas com migalhas. Quando falamos em relação à usina Belo Monte, nos deparamos com uma situação ainda mais dramática, pois estamos nos referindo a um rio grandioso em sua sócio-biodiversidade, gravemente ameaçado em sua fauna, flora, equilíbrio ecológico e culturas humanas milenares que encontraram aí expressão única no mundo. Esta usina põe em risco de extinção espécies inteiras, algumas endêmicas à bacia do Xingu. Coloca em risco modos de vida tradicionais e as culturas de nações originárias e diversas, que são a maior riqueza da humanidade, colocando em xeque a sua sobrevivência. Um rio Xingu que já sofre com o assoreamento, pisoteio e envenenamento de suas nascentes e afluentes, cortados pelos latifúndios do agro-negócio que já cercou todo o entorno das Terras Indígenas do Mato Grosso promovendo o modelo da terra arrasada.

Frente a isto, a aprovação e a construção da hidrelétrica de Belo Monte seria uma sentença de morte declarada friamente por burocratas que à distância decidem sobre as vidas das pessoas e dos seres que dele vivem e que não têm qualquer necessidade e enm terão quaisquer benefícios com um mega-empreendimento sobre o qual foram completamente alijados de tomar parte na decisão, em contrariedade com direitos nacionais e internacionais, e com qualquer forma com a qual se possa entender a palavra democracia. A Funai, órgão federal teoricamente responsável pela proteção dos direitos indígenas divulgou uma nota dando-se por satisfeita com o fato de que interveio no sentido tão somente de que as Terras Indígenas não seriam diretamente inundadas, o que está sendo somente anunciado, e ignorando recomendações e pareceres elaborados por seus próprios técnicos e ludibriando os indígenas ao transformar reuniões que foram anunciadas como apenas para esclarecimento, e posteriormente validando-as unilateralmente como audiências, as chamadas “oitivas indígenas”, que com este golpe baixo foram vergonhosamente “legitimadas” e dadas como realizadas. Já o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente se tornaram verdadeiras fábricas de licenciamento das obras do PAC sob o comando da então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, e hoje, para nossa desolação, presidente da república. O próprio local de construção é emblemático, justamente as corredeiras da Volta Grande do Xingu, que serviram no passado de barreira para a defesa dos povos indígenas em relação aos invasores europeus e euro-brasileiros, e que se apresenta como um marco divisor entre dois ambientes bastante distintos em suas características e na composição de espécies. Este local, se fosse inundado, sujeitaria estas disferentes espécies a disputarem nichos ecológicos completamente novos destruindo o ponto de equilíbrio ecológico alcançado ao longo de milênios provocando um verdadeiro caos que ameaça todo o eco-sistema. O PT, portanto, posando de representante do povo, exerce tragicamente uma opressão a qual não tem encontrado oposição à altura, e desta forma tem realizado feitos rumo ao triunfo do grande capital que são de causar inveja à chamada direita e à extrema-direita. Feitos que em seus governos não conseguiram realizar. Estamos assistindo o mesmo velho autoritarismo apresentado agora numa nova embalagem: primeiro ante a produção de um maquiado líder carismático, sorridente, que veio do povo (a mídia pode tornar qualquer tralha em líder carismático) e depois na produção de uma herdeira natural, maior cargo de confiança do governo, que além de tudo seria a primeira mulher presidente do país, e toda essa tagarelice.

Vivemos uma ditadura da mídia, da burocracia, das leis que só são obrigados a cumprir a classe trabalhadora e os marginalizados. Enquanto isto, utilizam-se do velho Pão e Circo, distribuindo bolsas-migalha e bombardeando com reality shows, telenovelas, programas de auditório, jornais que se expremer sai sangue e toda forma de lixo cultural, direto na mente do pobre trabalhador.

JÁ BASTA! VAMOS DIZER NÃO À TORPE USINA DE BELO MONTE!!

Jaguanharõ

Código Florestal. O que se esconde por trás dessa discussão do código florestal e a mídia convencional não tem interesse em esclarecer.


Apresentado pelo relator e deputado Aldo Rebelo do (PCdoB).

As mudanças no código irão atender diretamente as grandes corporações do agronegócio, suprimindo de vez os pequenos agricultores que são responsáveis por 70% de todos os alimentos que vão para a mesa dos brasileiros. E essa competição desleal irá obrigar o pequeno agricultor a deixar suas terras e imigrar em busca de trabalho.

O que já tem acontecido porque agronegócio escraviza milhares de trabalhadores no campo.

Segundo do Ministério Público do Trabalho de 2011, estima-se em 20 mil o número de trabalhadores e trabalhadoras mantidos em condições análogas a de escravos e escravas no país. Destes, 80% atuam na agricultura e 17%, na pecuária.

Com isso, milhares de pessoas ainda são submetidas a trabalho forçado e a condições degradantes no campo e na cidade.

As culturas da cana, soja e algodão, a pecuária, as carvoarias e o desmatamento da Floresta Amazônica são as atividades preferidas desses exploradores do trabalho e da terra.

O pacote tecnológico aplicado nas monoculturas levou o Brasil a ser o maior mercado de agrotóxicos do mundo. Entre as culturas que mais os utilizam está à soja, o milho, a cana, o algodão e os citros.

Lembrando como já citado que 70 % dos alimentos que chegam a mesa dos brasileiros vem dos pequenos agriculturos e já possuem agrotóxicos, agora imaginem nas mãos da grande industria? Sem contar os transgênicos que irão entrar com força total nessa jogada.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), já alertou que as populações indígenas e quilombolas são as que mais sofrem com a insegurança alimentar e nutricional. A demora na demarcação das terras indígenas e quilombolas, prejudica o direito a alimentação adequada. “Verifica-se que a morosidade para a demarcação das terras indígenas tem impactado negativamente a realização do direito humano à alimentação adequada dos povos indígenas, desrespeitando a forte vinculação entre o acesso a terra e a preservação dos hábitos culturais e alimentares desses povos”,

Mas essas demarcações se arrastam porque os grileiros, ou melhor, os falsificadores de documentos para desmatar e explorar a terra, e depois que ela se torna improdutiva, eles migram para outras. A grilagem de terras existe em virtude de especulação imobiliária, venda de madeiras e lavagem de dinheiro.

Estima-se no Brasil que 70% das terras pertençam aos governos federal e estadual, são terras destinadas para assentamentos, reservas indígenas, reservas ambientais, áreas militares e unidades de conservação.

Em poucas palavras. Imagine viver num mundo, onde você não tenha o direito de plantar. Onde todos os alimentos produzidos são controlados por um único grupo, eles decidem o que você come e o preço que você paga.

Bem vindos.

Esse é o mundo do agronegócio e o código florestal  é a porta aberta pra isso!

Pesquisadores da USP lançam nota pública sobre a crise da USP


Nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo auto-organizados, viemos por meio desta nota divulgar o nosso posicionamento frente à recente crise da USP.

No dia 08 de novembro de 2011, vários grupamentos da polícia militar realizaram uma incursão violenta na Universidade de São Paulo, atendendo ao pedido de reintegração de posse requisitado pela reitoria e deferido pela Justiça. Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogêneo e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria, impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação. Por fim, 73 estudantes foram presos, colocados nos ônibus da polícia, e encaminhados para o 91º DP, onde permaneceram retidos nos veículos, em condições precárias, por várias horas.

Ao contrário do que tem sido propagandeado pela grande mídia, a crise da USP, que culminou com essa brutal ocupação militar, não tem relação direta com a defesa ou proibição do uso de drogas no campus. Na verdade, o que está em jogo é a incapacidade das autoritárias estruturas de poder da universidade de admitir conflitos e permitir a efetiva participação da comunidade acadêmica nas decisões fundamentais da instituição. Essas estruturas revelam a permanência na USP de dispositivos de poder forjados pela ditadura militar, entre os quais: a inexistência de eleições representativas para Reitor, a ingerência do Governo estadual nesse processo de escolha e a não-revogação do anacrônico regimento disciplinar de 1972.

Valendo-se desta estrutura, o atual reitor, não por acaso laureado pela ditadura militar, João Grandino Rodas, nos diversos cargos que ocupou, tem adotado medidas violentas: processos administrativos contra estudantes e funcionários, revistas policiais infundadas e recorrentes nos corredores das unidades e centros acadêmicos, vigilância sobre participantes de manifestações e intimidação generalizada.

Este problema não é um privilégio da USP. Tirando proveito do sentimento geral de insegurança, cuidadosamente manipulado, o Governo do Estado cerceia direitos civis fundamentais de toda sociedade. Para tanto, vale-se da polícia militar, ela própria uma instituição incompatível com o Estado Democrático de Direito, como instrumento de repressão a movimentos sociais, aos moradores da periferia, às ocupações de moradias, aos trabalhadores informais, entre outros. Por tudo isso, nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo, alunos de pós-graduação, mestres e doutores, repudiamos o fato de que a polícia militar ocupe, ou melhor, invada os espaços da política, na Universidade e na sociedade como um todo.

Fábio Luis Ferreira Nóbrega Franco – Mestrando da Filosofia-USP
Henrique Pereira Monteiro – Doutorando em Filosofia-USP
Patrícia Magalhães – Doutoranda em Física – USP
Silvia Viana Rodrigues – Doutora em Sociologia-USP
Bianca Barbosa Chizzolini – Mestranda em Antropologia-USP
José Paulo Guedes Pinto – Doutor em Economia – USP
Daniel Santos Garroux – Mestrando Pós-graduação em Teoria Literária – USP
Andrea Kanikadan – doutoradando da ESALQ-USP
Nicolau Bruno de Almeida Leonel – Doutorando em Cinema-USP
Paula Yuri Sugishita Kanikadan – Doutora em Saúde Pública – FSP/USP
Luciana Piazzon Barbosa Lima – mestranda em Estudos Culturais – EACH-USP.
Gustavo Seferian Scheffer Machado – Mestrando em Direito do Trabalho – USP
Maria Tereza Vieira Parente – Mestranda em Arqueologia – USP
Marcelo Hashimoto, doutorando em Ciência da Computação-USP.
Luiz Ricardo Araujo Florence – Mestrando em Arquitetura e Urbanismo – USP
Jade Percassi – Doutoranda em Educação – USP
Maria Caramez Carlotto – Doutoranda em Sociologia-USP
Georgia Christ Sarris – Doutoranda Filosofia-USP
José Carlos Callegari – Mestrando em Direito do Trabalho – USP
Gilberto Tedeia – Doutor em Filosofia-USP
Anderson Gonçalves – Doutor em Filosofia-USP
Douglas Anfra – Mestrando em Filosofia – USP
Fábio H. Passoni Martins – Mestrando – Depto de Teoria Literária e Literatura Comparada
Eduardo Altheman Camargo Santos ? Mestrando em Sociologia-USP
Fernanda Elias Zaccarelli Salgueiro – Graduanda Filosofia-USP
Guilherme Grandi – Doutor em História Econômica – USP
Yardena do Baixo Sheery – PPG Artes Visuais – ECA-USP
Lucia Del Picchia, doutoranda em Direito-USP
Fernando Rugitsky, mestre em Direito-USP
Ricardo Leite Ribeiro, mestrando em Direito-USP
Maira Rodrigues – doutoranda em Ciência Política – USP.
Ana Lúcia Ferraz – Doutora em Sociologia – USP.
Daniela Silva Canella, doutoranda em Nutrição em Saúde Pública – USP
Tatiana de Amorim Maranhão – Doutora em Sociologia-USP
Ana Paula SAlviatti Bonuccelli – Mestranda em História – USP
Anderson Aparecido Lima da Silva – Mestrando em Filosofia – USP
José Calixto Kahil Cohn – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio Fernando Longo Vidal Filho – Mestrando em Filosofia ?USP
Bruna Della Torre de Carvalho Lima – Mestranda em Antropologia – USP
Ana Paula Alves de Lavos – Mestre em Arquitetura e Urbanismo – EESC – USP
Lucas Amaral de Oliveira – Programa de Pós Graduação em Sociologia – USP
Bruna Nunes da Costa Triana – Programa de Pós-Graduação em Antropologia – USP
José César de Magalhães Jr. – Doutorando em Sociologia – USP
Eduardo Orsilini Fernandes – Mestrando em Filosofia -USP
Ricardo Crissiuma – mestre em Filosofia USP
Philippe Freitas – Mestrando em Música – UNESP
Weslei Estradiote Rodrigues – Mestrando em Antropologia – USP
Bruno de Carvalho Rodrigues de Freitas – Graduando em Filosofia – USP
Camila Gui Rosatti – Graduando em Ciências Sociais – USP
Martha GAbrielly Coletto Costa – mestranda em Filosofia – USP
Rafael Gargano – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio David – Mestrando em Filosofia – USP
Pedro Alonso Amaral Falcão – Mestrando em Filosofia – USP
Lígia Nice Luchesi Jorge, PPG em Língua Hebraica, Literatura e Culturas Judaicas – USP
Camila Rocha – Mestranda em Ciência Política – USP
André Kaysel – Doutorando em Ciência Política – USP
Michele Escoura – Mestranda em Antropologia -USP
Vladimir Puzone -Doutorando em Sociologia-USP
Arthur Vergueiro Vonk – Mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP
Renata Cabral Bernabé – Mestranda em História Social – USP
Raquel Correa Simões – Graduanda em Filosofia – USP
Danilo Buscatto Medeiros – Mestrando em Ciência Política-USP
Ana Flávia Pulsini Louzada Bádue – Mestranda em Antropologia-USP
Carlos Henrique Pissardo. Mestre – Dep. de Filosofia da USP e Diplomata.
Anouch Kurkdjian – Mestranda em Sociologia-USP
Léa Tosold – Doutoranda em Ciência Política-USP
Pedro Fragelli – Doutor em Literatura Brasileira-USP
Christy Ganzert Pato – Doutor em Filosofia – USP
José Agnello Alves Dias de Andrade – Mestrando em Antropologia – USP
Nicolau Dela Bandera – doutorando em Antropologia USP
Felipe de Araujo Contier – Mestrando em Arquitetura-IAU-SC-USP
Mauro Dela Bandera Arco Júnior – mestrando em Filosofia USP
Ane Talita da Silva Rocha – mestranda em Antropologia – USP
Juliana Andrade Oliveira – Doutoranda em Sociologia
Reinaldo César ? Doutorando em Ciência dos Materiais – USP
Manoel Galdino Pereira Neto – doutor em ciência política da USP
Carlos Filadelfo de Aquino, doutorando em Antropologia USP.
Jonas Marcondes Sarubi de Medeiros – mestrando em Filosofia-USP
Ana Letícia de Fiori – Mestranda em Antropologia – USP
Gonzalo Adrián Rojas – Doutor Ciência Política USP
Mariana Toledo Ferreira – Mestranda em Sociologia – USP
Julia Ruiz Di Giovanni – Doutoranda em Antropologia Social
Caio Vasconcellos – doutorando em sociologia – USP
Reginaldo Parcianello – doutorando/Literatura Portuguesa – USP
Fernando Sarti Ferreira – mestrando em História Econômica – USP
Júlia Vilaça Goyatá – mestranda em Antropologia – USP
Maria Aparecida Abreu – doutora em Ciência Política – USP
Bruno Nadai ? Doutorando em Filosofia – USP
João Alexandre Peschanski – Mestre em Ciência Política – USP
Lucas Monteiro de Oliveira – Mestrando em história social – USP
Fabrício Henricco Chagas Bastos – Mestrando em Integração da América Latina – USP
Rafaela Pannain – Doutoranda em Sociologia- USP
Bernardo Fonseca Machado – mestrando em Antropologia – USP
Victor Santos Vigneron de La Jousselandière – mestrando em História – USP
Gabriela Siqueira Bitencourt – mestre em Letras – USP
Dalila Vasconcellos de Carvalho , Mestre em Antropologia Social-USP.
César Takemoto Quitário – mestrando em Letras – USP
Maíra Carmo Marques – mestranda em Letras – USP
Ana Carolina Chasin – doutoranda em sociologia-USP
Dimitri Pinheiro – doutorando em sociologia-USP
Natália Fujita – doutoranda em Filosofia – USP
Julio Miranda Canhada – doutorando em Filosofia – USP
Caio M. Ribeiro Favaretto Mestrando Dpto de Filosofia – USP
Juliana Ortegosa Aggio – doutoranda em Filosofia – USP
Bruna Coelho ? mestranda em Filosofia – USP
Ana Carolina Andrada – mestranda em Sociologia – USP
Karen Nunes ? mestranda em sociologia – USP
Monise Fernandes Picanço – Mestranda em Sociologia – USP
Arthur Oliveira Bueno – Doutorando em Sociologia – USP
Guilherme Nascimento Nafalski – mestre em Sociologia – USP
Tatiane Maíra Klein, Mestranda em Antropologia Social/USP
Ana Paula Bianconcini Anjos – doutoranda em Letras – USP
José Paulo Martins Junior – Doutor em ciência política – USP
Demétrio Gaspari Cirne de Toledo – Doutorando Sociologia – USP.
Pedro Fragelli – Doutor em Literatura Brasileira-USP
Evandro de Carvalho Lobão – Doutor em Educação – FE/USP
Walter Hupsel – Mestre em Ciência Política – USP
Carina Maria Guimarães Moreira e sou doutoranda em Artes Cênicas na UNIRIO.
Marinê de Souza Pereira – Doutora em Filosofia-USP
Fabiola Fanti – Mestre em Ciência Política ? USP
Verena Hitner – mestre em Integracao da America Latina – USP
Fabio Cesar Alves – Doutorando- Teoria Literária- FFLCH- USP
Frederico Hnriques – Mestre em Sociologia pela USP
Fábio Pimentel De Maria da Silva – Mestre em Sociologia – USP
Natália Bouças do Lago – mestranda em Antropologia USP
Fábio Silva Tsunoda – mestrado em sociologia – USP
Terra Friedrich Budini, doutoranda em ciência política – USP
Natália Helou Fazzioni – Mestranda em Antropologia Social – USP
Renato Bastos – Mestre em História Econômica – USP
Andreza Tonasso Galli – Mestranda da Sociologia -USP
Andreza Davidian – mestranda em Ciência Política – USP
Dioclézio Domingos Faustino – Mestrando – Filosofia – USP
Fernando Costa Mattos – Doutor em Filosofia – USP
Joaquim Toledo Jr – Mestre em Filosofia pela USP.
Erinson Cardoso Otenio – doutorando em filosofia – USP
Berilo Luigi Deiró Nosella, sou doutorando em Artes Cênicas na UNIRIO
Rafael Alves Silva – Doutorando em Sciências Sociais – UNICAMP
Ludmylla Mendes Lima – Doutoranda em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa – USP
Tânia Cristina Souza Borges – Mestranda em Letras – USP
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política – USP.
Eveline Campos Hauck – Mestranda em filosofia pela USP
Mariana Zanata Thibes – Doutoranda Sociologia – USP
Nahema Nascimento Barra de Oliveira Mestre em Ciencias Humanas – USP
Manoel Galdino Pereira Neto – Doutor em Ciência Política-USP
Gonzalo Adrián Rojas – Doutor em Ciencia Politica-USP
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política-USP
Maria Aparecida Abreu – Doutora em Ciência Política-USP
Pedro Feliú – Doutorando em Ciência Política – USP
Fernando Gonçalves Marques – Doutorando em Ciência Política-USP
Petronio De Tilio Neto – Doutor em Ciência Política-USP
José Paulo Martins Junior – Doutor em Ciência Política-USP
Renato Francisquini – Doutorando em Ciência Política-USP
Júlio César Casarin Barroso Silva – Doutor em Ciência Política-USP
Francisco Toledo Barros – Mestrando em Arquitetura e Urbanismo
Marcia Dias da Silva – Mestre em História Social – USP
Maira Rodrigues – doutoranda em Ciência Política – USP.
Ivana Pansera de Oliveira Muscalu – Mestranda História Social – USP
Renata Lopes Costa Prado ? Doutoranda do Programa de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano – USP
Emi Koide – Doutora em Psicologia – USP
Mario Tommaso Pugliese Filho – Mestre em Literatura Brasileira – USP.
Gabriela Viacava de Moraes – Mestranda em Literatura Brasileira – USP
Tatiane Reghini Matos – Mestranda em Letras – USP
Andréia dos Santos Meneses – Doutoranda em Letras – USP
Kátia Yamamoto – Mestranda em Psicologia USP
Lygia de Sousa Viégas – Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da USP.
Daniel Gomes da Fonseca – Mestrando em Teoria Literária e Literatura Comparada – USP
Michelangelo Marques Torres – mestrando na Unicamp e graduado pela USP
Luana flor Tavares Hamilton – mestrança em psicologia – USP
Renan Honório Quinalha – mestrando em Sociologia Jurídica na USP
Adriana De Simone – Doutora em Psicologia – IP/USP
Grazielle Tagliamento ? doutorado PST – USP
Tamara Prior- mestranda em História Social – USP
Airton Paschoa ?Mestre em Literatura Brasileira – USP
Daniela Sequeira – mestra em Ciência Política – USP
Thaís Brianezi Ng ? doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – USP
Davi Mamblona Marques Romão – mestrando – PSA – Psicologia
Rafael Godoi – Doutorando em Sociologia -USP
Vanda Souto – Mestranda em Ciências Sociais – UNESP – Marília
Pedro Rodrigo Peñuela Sanches – Mestrando em Psicologia USP
Grazielle Tagliamento – Doutoranda Psicologia – USP
Monica Loyola Stival – Doutoranda em filosofia – USP
Tatiana Benevides Magalhães Braga Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP
Regina Magalhães de Souza, doutora em Sociologia – USP
Ludmila Costhek Abilio – Mestre em sociologia – USP
Gabriela Viacava de Moraes – Mestranda em Literatura Brasileira – USP
Tatiane Reghini Matos – Mestranda em Letras – USP
Andréia dos Santos Meneses – Doutoranda em Letras – USP
Edson Teles – doutor em Filosofia – USP
Julia Maia Peixoto Camargo – Graduanda em Ciências Sociais-USP
Rodnei Nascimento – Doutor em filosofia – USP.
Rafael Luis dos Santos Dall’olio – Mestrando em História Social – USP
Ana Aguiar Cotrim – Doutoranda em Filosofia – USP
Tercio Redondo – Doutor em Literatura Alemã – USP
Maria Cláudia Badan Ribeiro Doutora em História Social – USP
Pedro Mantovani- Mestrando em Filosofia- USP
Stefan Klein – Doutorando em Sociologia – USP
Wagner de Melo Romão, doutor em Sociologia -USP
Maria de Fátima Silva do Carmo Previdelli – Doutoranda em História Econômica – USP
Felipe Pereira Loureiro – doutorando em História Econômica – USP
Thiago de Faria e Silva – Mestre em História Social – USP
Marcus Baccega ? Doutor em História Medieval – USP
Luciana Moreira Pudenzi – Mestre em Filosofia – USP
Daniela Jakubaszko – Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA-USP
Leo Vinicius Maia Liberato, ex-pos-doutorando no Departamento de Filosofia da USP
Maria Lívia Nobre Goes – Graduanda em Filosofia-USP
Agnaldo dos Santos – Doutor em Sociologia – USP
Annie Dymetman doutora em Ciências Sociais – USP
Evandro NoroFernandes ? Mestre em Geografia- USP
Wilma Antunes Maciel – Doutora em História Social – USP
Luciano Pereira – Doutor em filosofia – USP
Guilherme Varella, mestrando em Direito de Estado
Constância Lira de Barros Correia Rodrigues Costa – Mestranda em Ciência Política – USP
Ester Gammardella Rizzi – Mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito – USP
Cristiana Gonzalez – mestranda em sociologia – USP
Rafaela Aparecida Emetério Ferreira Barbosa – Mestranda em Direito do Trabalho – USP
Franco Nadal Junqueira Villela – Mestre em Ciência Ambiental – USP
Clara Carniceiro de Castro, doutoranda em Filosofia-USP
Marcelo Netto Rodrigues – mestrando em Sociologia – USP
Elisa Klüger ? mestranda em sociologia – USP
Marilia Solfa – Mestre em Arquitetura – USP
Pedro Feliú – Doutorando em Ciência Política – USP.
Renato Francisquini, doutorando em Ciência Política – USP
Júlio César Casarin Barroso Silva – doutor em Ciência Política – USP
Andreza Davidian – mestranda em Ciência Política – USP
Andrea Kanikadan – doutorando em Ecologia Aplicada na ESALQ em Piracicaba.
Miguel Barrientos – Doutorando em Ciência Política – USP
Diogo Frizzo – Mestrando em Ciência Política – USP
Vinicius do Valle – Mestrando em Ciência Política – USP
Carolina de Camargo Abreu – Doutoranda em Antropologia – USP
Tatiana Rotolo- Mestre em Filosofia pela USP
Pedro Ivan Moreira de Sampaio – Graduando em Direito PUC-SP e Filosofia – USP
Thaís Brianezi Ng, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental – USP
André-Kees de Moraes Schouten – Doutorando em Antropologia Social ? USP
Alvaro Pereira – Mestre em Direito – USP
Vinícius Spira – mestrando em Ciências Sociais – USP
Rafael Faleiros de Pádua, doutorando em Geografia-USP
André Luis Scantimburgo – Mestrando em Ciências Sociais pela UNESP de Marília/SP.
Rosemberg Ferracini – Doutorando em Geografia Humana – Universidade de São Paulo – USP
Lucas Brandão – Mestrando em Sociologia-USP
Márcia Cunha – doutoranda em Sociologia – USP
Nilton Ken Ota – doutor em Sociologia – USP
Felipe Figueiredo – Bacharel em Letras – USP
Bruno Boti Bernardi – Doutorando em Ciência Política – USP
Roberta Soromenho Nicolete – Mestranda em Ciência Política – USP
Lara Mesquita – Mestre em Ciência Política – USP
Milene Ribas da Costa – Mestre em Ciência Política – USP
Katya dos Santos Schmitt Parcianello – mestranda em História Econômica/ USP
Alcimar Silva de Queiroz – Doutor em Educação – USP
Paulo Vinicius Bio Toledo – mestrado Artes Cênicas
Ruy Ludovice ? mestrando em Filosofia – USP
Pollyana Ferreira Rosa – Mestranda em Artes Visuais – USP
Patrícia de Almeida Kruger – Mestranda em Letras – USP
Giselle Cristina Gonçalves Migliari – Mestranda em Literatura Espanhola – USP
Wellington Migliari – Mestre em Literatura Brasileira – USP
Diana P. Gómez – Mestranda Antropologia Social
Simone Dantas – Mestranda em Letras-USP
Eduardo Zayat Chammas, mestrando em História Social – USP
Maristela de Souza Pereira – Doutoranda em psicologia – USP
Virginia Helena Ferreira da Costa – Mestranda em filosofia – USP
Gustavo Motta – mestrado Artes Visuais – USP
Luiz Fernando Villares, doutorando Faculdade de Direito – USP

A violência do Estado é pra além da USP. No Estado de Rondônia, alunos estão sendo ameaçados, professores universitários presos, deputados agredidos pela polícia federal e jornalistas coagidos por essa mesma polícia.


POst de origem PassaPalavra

A Universidade Federal de Rondônia está em greve há 46 dias e ninguém fora de Rondônia sabe disso.Por Grevista da Unir e Prof. Estêvão Rafael Fernandes

Compartilho com vocês a angústia de estar no estado mais periférico do Brasil. A Universidade Federal de Rondônia está em greve há 46 dias (desde 14 de setembro) e ninguém fora de Rondônia sabe disso. A Reitoria está ocupada pelos estudantes há 25 dias. Ocupada significa fechada.

Um professor de História foi preso arbitrariamente pela Polícia Federal enquanto chupava um pirulito. Os bombeiros condenaram o campus universitário. Os departamentos de Biologia e Química são praticamente bombas-relógio.

Todo dinheiro que entra pelo REUNI some num buraco negro e grande parte das vagas que o MEC manda são ocupadas por favorecidos pela Administração Superior.

Pedimos o afastamento do Reitor, mas ele não renuncia. Pedimos intervenção do MEC, mas demora. Resta fazer pressão e divulgar a greve fora de Rondônia. Aqui temos o apoio da mídia local e da sociedade (que traz comida e diesel pro gerador da Reitoria – cortaram a energia).

Estamos no faroeste.

NOVAS INFORMAÇÕES: UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA PEDE SOCORRO

Caros amigos e colegas,

No Estado de Rondônia, hoje, alunos estão sendo ameaçados, professores universitários presos, deputados agredidos pela polícia federal e jornalistas coagidos por essa mesma polícia.A seguir alguns links para melhor situá-los:

http://www.oobservador.com/nacional/professores-estudantes-e-jornalistas-estao-sob-ameaca-da-pf-em-rondonia-denuncia-movimento-grevista.html

http://candidoneto.blogspot.com/2011/10/prossegue-luta-na-unir-e-policia.html

http://www.sidneyrezende.com/noticia/150527+greve+na+universidade+federal+de+rondonia+nao+tem+previsao+de+acabar

Resumidamente, em meados de setembro deste ano, professores e alunos da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) entraram em greve, não por melhorias salariais, mas por melhores condições de trabalho e estudo.

Vão aí, a título de ilustração, mais dois links com fotos do estado de nosso campus em Porto Velho e um terceiro link, com um laudo técnico do corpo de bombeiros tornado público nesta semana:

Link com fotos 01:
http://www.rondoniagora.com/imagens/exclusivo/UNIR_ABANDONO/pages/index001.htm
Link com fotos 02:
http://www.rondoniagora.com/imagens/exclusivo/UNIR_ABANDONO2/pages/index001.htm
Laudo do Corpo de Bombeiros sobre o campus de Porto Velho:
http://pt.scribd.com/doc/70785551/Laudo-bombeiros

Em resposta a pauta grevista, a administração da Universidade disse que as reivindicações por melhorias não fariam sentido, já que a Universidade, por mais que apresentasse problemas, estava bem, obrigado.

Aos poucos, o movimento dos alunos se transformou em um movimento para afastamento da administração atual, por entender que havia uma série de denúncias (em licitações, obras, recursos, fundação de apoio, concursos públicos, etc.) que precisavam ser tiradas a limpo. Ato contínuo, o movimento grevista montou um dossiê de 1.500 páginas onde essas denúncias eram sistematizadas e foi a Brasilia, encaminha-las ao MEC e a Casa Civil, da Presidência da República.

Na Casa Civil, com todas as letras, ouviram de um assessor que uma vez que a administração atual da Universidade contava com o apoio de um político da executiva nacional do PMDB, base aliada do Governo Federal no Congresso, nada haveria a ser feito.

Há alguns dias a Polícia Federal, em uma tentativa desastrada (e desastrosa) de descoupação do prédio da Reitoria, ocupada por alunos da instituição há quase um mês, acabou agredindo um Deputado Federal que lá estava, tentando negociar (Deputado Mauro Nazif, PSB-RO) e prendendo um professor, que nada fazia a não ser observar a cena.

Já o link abaixo contém uma foto do mesmo momento da prisão onde se vê, de branco, ao centro, o prof. Valdir sendo levado por dois agentes a paisana (um moreno, a esquerda, com uma pistola na mão e outro, a direita, de camisa vermelha, com um cassetete, que daí a alguns segundos seria utilizado para agredir o Deputado Nazif, de camisa azul clara, no alto da imagem, à direita). De laranja, no canto esquerdo da foto, um rapaz que se identificou como agente da PF, carregando uma câmera subtraída de um dos professores que teria registrado parte da confusão):

http://www.rondoniagora.com/noticias/nazif-reafirma-agressao-de-agente-federal-e-identifica-agressor-2011-10-21.htm

Naquela mesma noite o Prof. Valdir foi encaminhado a um presídio comum, chamado “Urso Panda”, onde passou a noite em uma cela.

Alguns dias após o ocorrido, um jornalista local foi coagido por Policiais Federais, por publicar notícias apoiando a greve na Universidade. Veja aqui.

Esta é, basicamente, a situação por aqui: agressão, medo, coersão e ameaças, fazendo uso da máquina pública e de agentes que deveriam proteger-nos.

O que nos parece, aqui em Porto Velho, é que tanto essas ações truculentas quanto a conivência do Governo Federal e a invisibilidade da questão na imprensa nacional se deve, sobretudo, ao fato de nosso reitor ser aliado político e amigo pessoal de membros da direção do maior partido da base aliada do Governo Federal.

Longe de mim acusar quem quer que seja. Afinal, é bem possível que todos os implicados nessa história sejam absolutamente inocentes e/ou tenham agido de boa fé. Entretanto, a única forma de garantirmos transparência no processo de investigação nos fatos aqui relatados divulgando esses acontecimentos junto aos nossos contatos em OnGs, Governo, imprensa, academia e associações científicas.

Saiba mais através do blog do Comando de Grevehttp://comandodegreveunir.blogspot.com/

Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia(CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil

USP, legalismo e subversão


Yakov Fidélis*

Graduado em Direito e atualmente graduando-se na FFLCH

Nos recentes acontecimentos da Universidade de São Paulo em geral e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas em específico, não me surpreendi com a reação discriminatória e hipócrita de muitos que, na contramão do desenvolvimento humano e histórico, aplaudem a criminalização das drogas. O moralismo social é um dado que conheço bem. Entretanto, fiquei impressionado com a reverência e a defesa geral que as pessoas fizeram em favor das leis e instituições no Brasil. E surpreso com a reação de amplos setores da comunidade universitária sobre todo esse assunto.

É muito fácil ouvir na rua e em fóruns na Internet o lugar-comum que diz algo como “no Brasil, as leis não funcionam, e quando funcionam, são injustas”. Falar mal de políticos, ou seja, de quem cria e executa as leis, é praticamente um atestado de cidadania brasileira. Judiciário, saúde, educação, segurança, urbanismo… não há nada que se elogie no Brasil; até mesmo o futebol, que junto com o Carnaval compõe tradicionalmente  as únicas coisas que prestam por aqui, está em baixa. Em suma, é tudo muito ruim por aqui quando o assunto são leis e instituições. Contudo, de repente, durante esses acontecimentos na USP, pareceu que as leis e instituições no Brasil viajaram séculos no futuro, e se transformaram nas próprias representações absolutas da Justiça, da Democracia. Todas as desconfianças e críticas que comumente ouvimos e dizemos por aí, subitamente desapareceram para dar lugar a juízos como “a lei é para todos”, “os policiais estavam apenas cumprindo a lei”, “a polícia está lá para garantir a segurança de todos”. De repente, todo mundo virou legalista. A própria mídia tradicional, que constantemente divulga os absurdos e abusos do Estado, não levantou uma suspeita sequer sobre a ação da Reitoria da USP e da Polícia Militar, e passou a vender a imagem de que os estudantes rebeldes estavam dispostos a quebrar tudo e deixar a vida de seus colegas à mercê de bandidos só para poderem fumar maconha em paz. É muito estranho: o que foi que mudou na realidade brasileira entre a manhã e a noite do dia 27 de outubro de 2011, quando os estudantes tentaram impedir os policiais de levarem três deles para a delegacia? Que metamorfose radical foi essa que fez do Brasil, que era país esculhambado para todo o lado, um baluarte dos valores corretos e civilizados? Que aconteceu com as leis, as instituições, que de repente ficaram perfeitas e bem-acabadas? Que houve com a Polícia Militar que, entre a manhã e a noite dessa quinta-feira, de malvada e despreparada passou a ser composta por paladinos da justiça? É estranho, eu achava que tudo continuava igual, mas muitos gritam que não, sugerem que passamos por uma revolução, e eu, estudando Kant na biblioteca, nem percebi que ela aconteceu.

A Polícia Militar de São Paulo, que, por exemplo, não passou por uma única reestruturação de verdade da época da ditadura para cá, queostenta uma estrela em seu brasão em homenagem à “Revolução de 1964”, que entre 2005 e 2009 matou mais do que todas as polícias dos Estados Unidos juntasque tem seus assassinatos arquivados sistematicamente, que não se vê como protetora dos cidadãos e seus direitos, mas presume que são todos culpados e inimigos do Estado, que usa do expediente burocrático chamado “resistência seguida de morte” para encobrir execuções sumárias, que é corrupta… Essa polícia que a população ou teme ou da qual desconfia. Essa polícia que se te enquadrar numa madrugada escura, vai fazer você suar frio, e eu duvido que você não tema, ainda que não deva nada. Pois bem, como é que essa mesma polícia transgressora até mesmo dos direitos mais importantes e básicos, como o direito à vida, pode, do dia para a noite, mudar radicalmente e comparecer à FFLCH que tanto aterrorizou em passados distantes e recentes, apenas para “o estrito cumprimento da lei?”. Se a PM estava lá para proteger a lei, por que entrou no campus, na quinta-feira 27 de outubro último, com parte de seus soldados sem suas tarjas de identificação? Esse expediente é corrente, aliás. Como?

E nossas leis? Elas que são criadas por uma classe política na qual não acreditamos um nada, que sabemos que são corruptos inveterados; nossas leis que beneficiam facilmente bancos e com muito custo protegem o consumidor e o contribuinte, que nos cobram impostos pesados para financiar grandes grupos financeiros; nossas leis, cuja crise de legitimidade tem feito o judiciário trabalhar cada vez mais, o Supremo Tribunal Federal trabalhar cada vez mais; nossas leis julgadas por uma classe de magistrados que também é corrupta e que com seu atávico corporativismo resiste contundentemente a qualquer tentativa de fiscalização. Pois bem, como então essas leis resgataram sua legitimidade e decência e são capazes de finalizar um assunto, de encerrar uma polêmica acerca de um problema grave que é o das drogas? Desde quando o crime de uso de drogas, que é tão crime quanto o furto de um pote de margarina, são crimes indiscutíveis e condutas hediondas? Quando é que nossa legislação alcançou tanta perfeição a ponto de não precisarmos mais discutir o que está por trás delas, o que está abaixo delas, além delas? Desde quando a fria letra da lei é capaz de por uma pedra nesse assunto das drogas, que cientistas sociais e políticos do mundo inteiro se dedicam tanto para tentar desmistificar? Quando é que nossas leis ficaram tão perfeitas que a discussão acerca da sociedade virou uma discussão do legal e o ilegal, apenas?

E nossas instituições também. Não preciso aqui ser prolixo e falar do fracasso retumbante de nossas instituições, que quando funcionam bem é raridade; servem apenas para mostrar que toda regra tem exceção. Feliz aquele que passa um dia inteiro sem precisar reclamar de nenhuma instituição, de maneira direta ou indireta. No caso específico da instituição USP, ela é uma das universidades mais antidemocráticas do país, que inclusive ainda hoje processa estudantes com base em umdecreto de 1972, criado durante os anos de chumbo da ditadura militar especificamente para reprimir subversivos. Greves, ocupações e piquetes são o que restou de atuação política crítica naquela universidade, visto que desde a ditadura militar, todo movimento questionador foi afastado dos conselhos, órgãos deliberativos, etc. Muitas pessoas, entretanto, ao verem os alunos mobilizados ocupando o prédio da Administração da FFLCH ou da Reitoria da USP, sugerem em outro passo de mágica que vivemos num paraíso institucional. A USP, que mal conhecem, de repente parece virar o que há de mais progressista e democrático neste nosso país que, por tabela, também vira um exemplo de política plural, inclusive, tolerante, dialogada. Inexplicavelmente, nossas instituições também passam a atingir o patamar máximo de desenvolvimento e funcionamento, representando um Estado ideal, onírico, edênico. Só isso explica tamanha reação contra a ocupação de prédios administrativos da universidade. Essa violência simbólica, institucional, só pode ser entendida como grave se for entendida como um ataque a um Estado que nos protege sem falhas. E ainda há a condenação da forma como invadiram também. Acusam os estudantes de claramente terem desrespeitado princípios formais democráticos; a Assembleia não respeitou o teto deliberativo que era até 22h, os estudantes da USP não estão representados em sua totalidade, etc. Eu só consigo entender o asco a esses defeitos se nós compararmos o manco movimento estudantil com a bem-sucedida e arrojada democracia brasileira. Parece que no Brasil podemos dizer com certeza que 100% dos brasileiros são plenamente representados em todas as decisões da classe política, e por isso é simplesmente absurdo que uma assembleia dos estudantes da USP (umas dezenas de milhares) delibere e aja sem o consenso de todos da universidade.

Afinal, quem existe para servir quem? Nós é que existimos para servir ao Estado, às leis e às instituições? Ou é o contrário? Por que, então, estamos tão receosos em atacar e duvidar da oficialidade e não nos embaraçamos em jogar os estudantes mobilizados aos cassetetes, às perseguições administrativas? Por que nos deixamos convencer facilmente que eles, os estudantes, é que estão errados, que em algum ponto eles têm que estar errados, e não nos permitimos em um só momento desconfiar da Reitoria, da PM, do governo, da mídia? O Estado, a lei e as instituições não são um fim em si. São um meio, um meio para proteger pessoas, principalmente as pessoas socialmente mais fracas, carentes, pois os fortes e potentes não precisam de proteção alguma – pelo contrário, são eles a ameaça contra os outros, e foi contra eles que o princípio da legalidade foi conquistado. A proteção da maioria despossuída contra a exploração e opressão perpetrada por uma minoria que detém o poder e a riqueza é o verdadeiro sentido histórico da criação e revisão de leis, instituições, democracia, Estado de direito. Aceitar o uso da legalidade contra quem ela deveria proteger é não somente desnaturar essa história, como cair na armadilha da ideologia estatal que tenta nos convencer de que ele, o Estado, é muito mais necessário para nós do que nós para ele, embora seja óbvio que sem o reconhecimento da população a autoridade estatal desmorona. Mesmo entre a própria mobilização estudantil isso acontece; e vi pessoalmente vozes furiosas gritando umas contra as outras sobre detalhes formais, procedimentais, conceituais; e muitos estudantes ciosos com os efeitos negativos da ação concreta de ocupação, e desejosos de uma via menos conflituosa, dentro da institucionalidade e da legalidade. Ora, os aparelhos democráticos servem para unir e fortalecer a ação dos grupos prejudicados. Se esses grupos começam a rachar por causa dessa própria aparelhagem, então ela é inútil para os fins de quem se rebela – e cumpre, com sua burocracia complexa e ampla malha lógica, a função que os interesses dominantes lhe incumbiram; a de travar a alteração da realidade, por mais que esse caminho prometa o contrário. Não que tudo que os estudantes mobilizados estejam fazendo seja também perfeito, sem nenhum erro. A questão não é essa. Erros por erros, nenhuma instituição é perfeita – nem mesmo a democracia, mas não a abandonamos por causa disso. O que não podemos fazer é inverter seu papel. Entretanto, vejo muita gente que só não abandona o movimento estudantil porque nunca o abraçou, e está pronta para condená-lo tão logo vê o primeiro e menor defeito entre eles. Já há, portanto, uma ideia pré-concebida contrária aos estudantes, que precisa somente de um pretexto para ser externada. Sendo claro: há preconceito. Como essas pessoas não têm o menor interesse em abraçar a causa dos estudantes mobilizados, não buscam se informar sobre, e acabam, em sua ignorância, colaborando para a propagação dos preconceitos. Fazem questão de justificar-se para outros e para sua própria consciência em termos que podem ser resumidos mais ou menos no seguinte: “não vou me envolver com um movimento que não é perfeito”. Como se a realidade com a qual se envolve fosse perfeita.

É que lidar com essas coisas dá trabalho. Democracia de verdade dá trabalho. A gente tem que sair da nossa zona de conforto, da inércia, da rotina, do marasmo, e tudo isso para trabalhar em prol de mais pessoas que não somente nós mesmos. A gente tem que ouvir o outro com atenção e empatia, tolerância e paciência, e demora muito para conseguirmos entender quem é diferente. Essa compreensão não é imediata ou automática, exige convivência, acostumar-se. A gente precisa encarar nossos defeitos, nossos interesses egoístas, rever hábitos, estilos de vida. A gente tem que pensar mesmo quando dói, encarar problemas cabeludos, ir além de respostas prontas, fáceis, pré-fabricadas, descartáveis. A gente tem que questionar tudo, criticar tudo, mas mesmo assim ter disposição para construir. Não podemos mais acreditar em nada sem investigar bem, não podemos mais aceitar as doces ilusões tranquilizadoras. E tudo isso em conjunto, incluindo-se aí gente com quem nunca iremos concordar, e para quem mesmo assim temos que dar atenção, vez e voz. Tudo isso em conjunto é muito caótico. Nossa posição ora é vitoriosa, ora é derrotada, e não podemos ter nossa vontade abalada, pois tudo isso tem que se harmonizar com um objetivo maior, que é o de transformação para melhor. Em suma, é trabalheira demais, leva tempo, dá preguiça… é muito mais fácil e cômodo estudar Kant na biblioteca. Por mais complicada que seja a Crítica da Razão Pura, ali eu só preciso lidar com um morto que defende os conhecimentos alheios ao mundo da experiência, que vai rodar pelas mãos de alguém sem que eu faça esforço.

Essa preguiça meio macunaímica, infelizmente, explica em boa parte o sucesso histórico do autoritarismo no mundo, e em especial no Brasil. Muita gente simplesmente abdica do exercício democrático em nome exclusivo de sua vida privada. É mais interessante, para esse tipo de gente, delegar a responsabilidade da condução e transformação da realidade para outros, e depois ir reclamar quando algo dá errado. Só que isso também é ainda mais interessante para o Estado interessado em consolidar seu poder. Como o maior inimigo do governo são seus governados, quanto mais esses acreditarem que não têm a ver com o destino de sua própria sociedade, melhor. O mercado e o Estado são sedutores para o indivíduo egoísta e preguiçoso, pois fazem uma proposta irrecusável: o indivíduo delega poder e legitima a autoridade do Estado e do mercado, e estes se encarregam da trabalhosa manutenção do presente e construção do futuro, como bem entenderem. É simples, rápido, fácil, como a transação via cartão. O indivíduo não precisa fazer mais do que cuidar de seus próprios negócios privados, e só vai exercer seu valioso direito de voto uma ou duas vezes a cada dois anos, em cinco minutinhos. E até disso muita gente reclama. E não apenas reclamam que são chamadas a participar da sociedade que compõem, como também atacam e ridicularizam quem voluntariamente se dedica a essa participação. Apesar de ser uma empreitada de extrema dificuldade, esses que se envolvem com afinco nessas causas e nessas dificuldades são sumariamente taxados de vagabundos, que não querem saber de estudar ou trabalhar. Quem diz isso não se pergunta o que seria dos estudantes e trabalhadores de hoje se não fossem os vagabundos do passado para lutar por nossos direitos. Direitos e liberdade sempre foram conquistados, nunca dados, e quem lutou por eles ou arriscou o que tinha, ou já não tinha nada para arriscar; em ambos os casos, devemos muito a esses que são verdadeiros heróis ao lado do ingrato covarde que baixa a cabeça para o forte e conservador e late para o fraco e questionador. Parece que na escravidão contemporânea há muitos brasileiros que são escravos e capitães-do-mato ao mesmo tempo. Sentem na pele que são explorados em alguma instância, mas se recusam a dar a mão ao próximo igualmente explorado, preferindo internalizar o opressor e reproduzir seu discurso, caçando e condenando quem se rebele. Não interessa a essas pessoas lutar contra a opressão que lhes aflige; pelo contrário, elas a aceitam e muitas até mesmo desejam a perpetuação dessa desigualdade, porque enquanto ela existir, elas poderão ainda conseguir um lugar no lado de cima da pirâmide para poder também se aproveitar da exploração alheia. Isso mostra que as ideologias de mercado e Estado no Brasil são um retumbante sucesso. Na Europa, nos Estados Unidos, no mundo árabe, na própria América Latina, vemos como as pessoas têm se levantado contra toda sorte de problemas sociais. Fosse aqui, seriam todos execrados como vagabundos e arruaceiros, e haveria, como há e sempre houve, forte reação contra os questionamentos. Haveria, como há e sempre houve, amplo apoio da manutenção do status quo. Nossa história enquanto país começa com o jugo de uma metrópole; é invadido por colonos exterminadores de índios, escravizadores de negros; passa por uma independência que não vê república, mas um Império de constituição outorgada, dissoluções do parlamento e Poder Moderador; chega enfim a uma república militar, e depois oligárquica, com voto de cabresto; vê depois a ditadura getulista; na primeira redemocratização esse mesmo Getúlio Vargas é levado ao suicídio por pressões golpistas articuladas com a mídia; tem reformas de base vedadas por uma ditadura militar aclamada por uma “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, ditadura que recrudesce com o AI-5 e que termina anistiando torturadores. Nossa história está repleta de massacres; quilombos, Canudos, Carajás, Carandiru, etc. É uma história do autoritarismo, da truculência, da crueldade.

Assim, por mais triste que seja, não é surpreendente ver que os mesmos legalistas que defendem a PM no campus para pegar maconheiro esquecem o zelo pelo cumprimento da lei quando denunciamos soldados sem identificação. Essa regra não tem problema quebrar. Como não tem problema dirigir bêbado e em alta velocidade; as leis contra isso são simplesmente a “indústria da multa”. Dignidade humana para com o condenado preso está na Constituição, a lei mais alta, mas também não é uma regra séria. Aquela máxima absurda, “direitos humanos para humanos direitos” não encontra respaldo em nenhuma lei. Mas se nem os suspeitos, que sequer foram condenados, recebem tratamento lícito, que esperar para os que foram condenados? O sujeito vai tomar coronhada, cacetada, tortura… mesmo podendo ser inocente. E tudo isso é aceito com facilidade. Mas a lei não era para todos? “Aos amigos tudo, aos inimigos nada, aos indiferentes a lei”; isso poderia estar na nossa bandeira, pois é mais revelador que o orwelliano “ordem e progresso”. E isso também mostra que o preconceito atávico que muitos brasileiros têm pelos questionadores não provoca indiferença, mas os torna inimigos, inimigos a serem destruídos. O manifestante, o maconheiro, o vagabundo, esses merecem porrada, botinada, borrachada, bomba, e mesmo se morrerem, não é prejuízo (é no máximo uma “tática covarde para se produzir mártires”). Para esses, ver quem protesta apanhar é divertido, chega a ser delicioso, e muitos comemoram essa perfeita imagem de um Estado fascista, perseguidor do próprio povo, que busca o consenso pela intimidação, pelo medo e pela violência.

Esse é um legalismo defendido aí é dupla-face; acrítico e estrito por um lado, cordial e flexível por outro. Um legalismo que, por um lado, confunde legalidade com legitimidade e não tem interesse em examinar a realidade com profundidade, mas apenas a letra da lei em sua superficialidade; e que por outro lado, comporta uma inconstância moral que defende o cumprimento apenas das regras convenientes para o próprio caráter. A frente dele, a da legalidade absolutamente estrita, falha perante a História: legalidade por legalidade, os abolicionistas que soltavam escravos eram foras-da-lei. Rosa Parks foi uma bandida ao não ceder seu lugar no ônibus a um branco. Ghandi foi um marginal por sua desobediência às leis imperiais britânicas. Todos os movimentos de independência, inclusive a do Brasil, também foram crimes. Por que nesses casos o legalismo não é defendido? Talvez porque, para o cidadão de bem que só se dedica à sua própria vida privada, a História é somente uma diversidade de assuntos eruditos, um passatempo acadêmico, algo distante de sua realidade e que narra fatos do passado completamente desvinculados do presente. Algo como uma coleção oficial de contos de fadas, algumas até com moral da história; “era uma vez Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil”, “Hitler era o bandido e Estados Unidos era o mocinho, o bem venceu o mal”, “o socialismo fracassou e todos viveram felizes para sempre”, etc. Ou seja, as incoerências do passado são irrelevantes, porque o dia já raiou, ontem ficou para trás. Não interessa o passado. E aí o verso desse legalismo começa a se mostrar, também apunhalado pela História; as transgressões de direitos, o Estado de exceção, tudo isso também foi ilegal, foi fruto de golpe, mas agora, no atual presente, quando chamados a discutir esses crimes, é majoritária a opinião de que devemos por uma pedra no assunto e esquecer esse passado. A manutenção da Lei de Anistia tal como está é um acinte contra o direito internacional, tal como o tratamento vergonhoso que o Brasil está dispensando à questão. Nessa hora o legalismo conveniente se escuda na burocracia covarde, invocando um falso acordo entre militares e civis para sequestrarem a realidade. Mas ao contrário do Estado e de suas principais instituições, a FFLCH não apenas enfrenta a questão, como sempre enfrentou, e por isso sempre foi reprimida. Ali se sabe que os policiais que pegam em armas e entram em suas viaturas ainda saem às ruas preparados para a guerra. Ali se sabe que desde sempre a função da polícia, fosse em suas versões de Guarda Nacional, Força Pública ou Polícia Militar, foi a de oprimir as classes sociais mais baixas e de ser o braço armado das imposições dos interesses dominantes. Nas delegacias e periferias, não houve mudança significativa de comportamento das patrulhas do colonialismo até o presente, ainda se arrepia com pobres, negros, mulheres, homossexuais, etc.. Para que haja uma mudança nisso, é indispensável reformular toda a ideologia da PM, o que é impossível enquanto não se encarar seriamente o passado que os militares insistem em ocultar. Por que mudariam se não reconhecemos nada de errado neles? Nossa cultura do “deixa disso” está nos custando a verdade e a história. Onde foi parar o legalismo nesse meio? Bem, como a transgressão de direitos é feita pelos amigos da conservação, e não pelos inimigos da contestação, é simples: àqueles, tudo; a estes, nada. A lei? Provavelmente é para quem não tem nada a ver com isso.

Que a população fora da USP pense isso, alimentada pela grande mídia corporativa, é impressionante, mas não é surpreendente. Surpreendente é ver que notável parte da comunidade universitária, mesmo a uspiana, aceite o mesmo pacote. Lamentável é ver que querem reduzir isso a um simples caso de detenção de três usuários de maconha, que preferem tratar do assunto com frases feitas, curtas, de efeito e sem necessidade de raciocínio, ao invés de refletir e estudar com profundidade a questão. Desanimador é ver quem não liga para a História vir fazer troça em cima dos estudantes mobilizados, dizendo que não estamos mais na ditadura, quando na verdade essa PM que aí está é a prova de que 1964 está muito mais presente do que muitos imaginam. E em muitos outros aspectos, ainda carregamos os ranços e os fantasmas de épocas mais antigas ainda, do Império, da Colônia, da escravidão. Pretendem que tudo isso esteja superado, mas não está, pelo simples motivo de que fugimos disso. Enquanto não encararmos esse passado, enquanto dermos as costas para ele, ele nos seguirá como uma sombra, uma maldição. Não estará superado, e, esquecido, viverá camuflado no nosso presente. Não à toa, uma das palavras de ordem dos manifestantes na FFLCH era “Ditadura, assassinatos e tortura: não esquecemos”. Seja porque foi a unidade da USP que mais sofreu perseguição do regime militar, seja porque é a unidade da USP que mais estuda e defende a verdade histórica de seu sequestro sistemático pela mídia (lembram da “ditabranda”?) e pela classe política, seja porque toda história nunca foi tratada como merece, a FFLCH é sim mais sensível à presença dessa PM que aí está. Aceitar a presença dessa PM no campus em geral, e na FFLCH em específico é, em última análise, desrespeitar a memória daqueles que lutaram, sofreram e morreram nas mãos dessa PM. É abandonar toda a luta travada e desprezada de lá para cá. Lembremos que, há algumas semanas, foi acintosamente afixada uma placa em memória da “Revolução de 1964”. Estarrecedor é ver que a USP, mesmo sofrendo violência que assola a cidade inteira à qual pertence, não pense em um projeto efetivo de intervenção no meio em que está. Que não pense em formas substanciais de combater concretamente as causas da violência. Que não reconheça na profunda desigualdade social do país uma das principais causas dessa violência. Que não queira, portanto, combater essa desigualdade, mas se satisfaça em promover fundações privadas e parcerias com grandes empresas que se aproveitam dela. Que vede a oportunidade de a universidade discutir violência usando a PM para coibir crimes e por um ponto final no assunto com a política fácil de repressão. Que ache normal policiais passarem estudantes em revista, sem motivação concreta, presumindo nossa culpa. É lamentável ver que parte da comunidade uspiana se contente com maior segurança para si enquanto o resto da cidade, e principalmente suas áreas pobres e carentes, está à mercê de todo o tipo de crime e violência. Que não reconheça que são jovens privilegiados, e essa é a palavra correta, pois usufruem gratuitamente de um bem social escasso, que é o ensino de qualidade. Que vejam nessa oportunidade que tomam para si em detrimento de outros nada mais do que um caminho para amealhar patrimônio intelectual e material. Desalentador é que não se rebelem contra a precarização do trabalho daqueles que mantém a faculdade para eles, que não solidarizem com a perseguição injusta promovida pela Reitoria contra seus colegas, que os abandonem motivados pelo preconceito e pelo individualismo, que se deliciem sadicamente com a tropa de choque lhes dando uma surra. Que aceitem um sistema de poder profundamente carente de democracia, e que escolhe um reitor aliado dosremanescentes da ditadura, que ignorem o macarthismo que implantou na universidade, e seu histórico de truculência, inclusive com a utilização da PM. Que se percam e se deslegitimem por detalhes formais perante a objetividade maior, discutam sistemas ideais de democracia enquanto perdem a oportunidade de exercitá-la na prática, que tiram a legitimidade da ação dos ocupantes porque eles não representam toda a USP, negando-lhes enquanto grupo organizado o direito de protestarem. Que se recusem a tratar com seriedade e responsabilidade uma questão grave como a das drogas, e que dê apoio à ilusão de que a guerra ao tráfico está nos trazendo algum resultado positivo. Que se permitam a fazer um patrulhamento da moral e dos bons costumes. Triste é ver que as faculdades estão cada vez mais formando simplesmente tecnólogos, burocratas e eruditos, que estão formando profissionais para o mercado, e não pensadores e transformadores para a sociedade. E que mesmo nas faculdades de ciências humanas, a desobediência civil tenha sido esquecida como forma legítima de luta social, que nem sequer mais reconheça os questionadores como “subversivos”, mas esvaziem suas lutas de causa para reduzi-los a meros “desordeiros”, e que a própria qualidade humana venha sendo paulatinamente esquecida em nome de um obscuro legalismo, uma insípida institucionalidade, uma reverência vazia à oficialidade e à ordem e às regras, um decisivo apoio ao autoritarismo que carcome as raízes mal fundadas de nossa precoce e manca democracia. Tudo isso em meio a citações, livros, bibliotecas, poeira, gabinetes e torres de marfim. O mais triste mesmo é testemunhar a teimosia da USP em não atender aos chamados desesperados da realidade, mesmo tendo todas as condições ideais para isso ao seu alcance.

*Yakov Fidélis: Nome fictício; numa universidade com verdadeira liberdade de pensamento, eu não precisaria esconder meu rosto ou meu nome com medo de ser processado pelo reitor ou ameaçado pela polícia por causa deste texto.