Caos no atendimento à saúde indígena. Um crime burocrático?


O atendimento estatal à saúde indígena parece que já nasceu moribundo, e a cada instante uma parte do corpo deixa de funcionar. Tempos atrás, ao perguntar sobre a situação da saúde em uma aldeia, ouvi a seguinte brincadeira “A saúde tá boa… pra quem tem”. Essa foi pra mim uma frase simples e marcante, pois conseguiu resumir para mim de forma irônica: não podemos depender de médico, enfermeiro, dentista, transporte de emergência, assim, o jeito é não ficar doente. De lá pra cá só tenho visto a crescente omissão do poder público. O jogo de empurra durante o ano de 2011 entre Funasa (Fundação Nacional da Saúde) e Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) só fez com que esta ação moribunda terminasse realmente de definhar.

A Funasa durante mais de dez anos foi usada e abusada por uns tantos esquemas de corrupção como quase todos os setores da saúde do país. O próprio modelo de gestão já dava desde o início toda a abertura para que isto acontecesse, espirrando o dinheiro da saúde indígena nos municípios e no terceiro setor sem o devido controle público. Os protestos das comunidades indígenas foram constantes, mesmo com as seguidas investidas dos envolvidos nos esquemas políticos no sentido da cooptação de lideranças, no que muitas vezes fracassaram. Tudo isto fez com que este serviço básico afundasse ainda mais e a relação com as comunidades fosse cada vez mais desgastada. Foram mais de dez anos sem que se tenha visto um programa sequer de nível nacional atendendo às reivindicações das comunidades para a valorização da medicina tradicional indígena, que sequer era respeitada, ou para o combate à dependência química, principalmente do álcool, nem houve qualquer programa em nível nacional para a promoção de sistemas de saneamento adequados à realidade indígena e rural. Enfim, elementos básicos para se vislumbrar um atendimento à saúde diferenciado. A Funasa, com o corpo de funcionários afogado na burocracia e equipes de saúde terceirizadas, muitas vezes se resumiu a repassar verbas nem sempre utilizadas de forma correta e a disponibilizar veículos e motoristas para levar os indígenas para serem atendidos na cidade pelo SUS, no que sempre houve muita inconstância. Só nos últimos cinco anos em que a saúde indígena esteve sob responsabilidade da Funasa foram desviados mais de meio bilhão de reais.

Passamos o ano de 2010 com a perspectiva de que a ação de saúde indígena iria ser transferida da Funasa para a nova Secretaria de Saúde Indígena a ser criada. Em 2011 a transferência da ação de saúde indígena da Funasa para a Sesai foi mais de uma vez protelada, e muitas vezes não se sabia a quem recorrer, se à Funasa, que alegava estar encerrando suas ações de saúde indígena, ou à Sesai, que alegava estar ainda em processo de estruturação e por este motivo ainda não havia assumido a ação.

Recapitulando com maiores detalhes: durante o ano de 2011, houveram inúmeros casos de falta de medicamentos, dificuldade das equipes de saúde em se deslocar para as aldeias, inacessibilidade dos indígenas ao serviço de transporte dos enfermos, principalmente em casos de urgência, omissão no controle da qualidade da água nos sistemas de abastecimento, falta de água causada por omissão na manutenção e reposição de materiais, morosidade ou mesmo inoperância na instalação e manutenção de sistemas de saneamento.

Um caso emblemático é o da aldeia Tangará, em Itanhaém – SP, onde entre 2010 e 2011 vieram a óbito quatro crianças. Em uma delas foi feita biópsia e foi constatado forte indício de que a anemia profunda que sofria foi causada por contaminação da água e levou à morte da criança. Uma servidora pública que vinha acompanhando com preocupação a situação desta comunidade e pretendia investigar inclusive a qualidade da água foi vetada por pessoas da Funasa de prosseguir com suas visitas à aldeia.

Entretanto, uma dúvida: Foi a crise permanente da Funasa na ação de saúde indígena que motivou a criação da Secretaria de Saúde Indígena – SESAI? Será que devemos ser otimistas em relação às decisões dos mesmos governantes que tantas provas nos deram do amor que têm pelo povo? Hoje, em 2012, a responsabilidade da ação de saúde indígena está toda na Sesai, porém, simplesmente iniciamos o ano sem qualquer ação na área da saúde: as equipes não têm condições de serem transportadas, pois os carros estão parados; os agentes de saúde indígena de São Paulo estão sem receber seus honorários, situação que possivelmente deve estar ocorrendo também em outros Estados; além disto os problemas de 2011 persistem.

Apesar de haver se passado um ano da criação da Sesai, será que não houve tempo hábil para a transição? Será a falta de contratos, licitações para combustível, manutenção de veículos? Não existe uma série de argumentos jurídicos e administrativos que tratam da emergência no atendimento à saúde com os quais se dispensam de licitação até mesmo ambulâncias e equipamentos caríssimos, frequentemente utilizados para o desvio de verbas? Por outro lado, vemos argumentos referentes às mudanças na gestão da saúde indígena, no sentido da otimização dos recursos públicos. Pergunto: Será ótimo para quem? Otimizar para reduzir as verbas realmente aplicadas na ponta e continuar a alimentar a máquina burocrática e o desvio? Otimizar o clientelismo político?

Toda minha ingenuidade ainda me permite acreditar que haveremos de ver uma verdadeira reestruturação do atendimento público à saúde indígena, onde os altos recursos que hoje são sugados pela máquina e pela corrupção sejam investidos realmente em saúde, e na qual haja o apoio à medicina tradicional, à fitoterapia e às formas indígenas próprias de curar enfermidades de ordem mental, espiritual, que venham a contribuir até mesmo no tratamento de casos como a dependência química dentre outros problemas advindos do contato com a sociedade não-indígena. Para que isto aconteça estou certo da necessidade primordial da organização das comunidades indígenas neste sentido e dos trabalhadores que com elas atuam, pois isto não será realizado por nenhum governante. Pretendo com estas palavras não apenas a denúncia, que por si não tem a capacidade de transformar a realidade, mas conclamar a sociedade, indígena ou não, que conscientes do direito fundamental à saúde, viremos o jogo a nosso favor por meio da organização, da prática e da luta.

Jaguanharõ

[Bertioga] Denúncia urgente


Post de Origem: União Campo, Cidade e Floresta

RECEBEMOS E-MAIL DE MORADORES DE BERTIOGA DENUNCIADO A AÇÃO DE ORGÃOS PÚBLICOS DAQUELE MUNICÍPIO, QUE COMO TODOS OS OUTROS, ADERIU À POLITICA DESENVOLVIMENTISTA DO GOVERNO FEDERAL (VIDE PAC) E DE GOVERNOS POPULISTAS SULAMERICANOS (VIDE IIRSA).

ESTA POLÍTICA, RACISTA, XENÓFOBA E FASCISTA TEM CAUSADO MORTE E SOFRIMENTO DE NOSSA CLASSE: INDÍGENAS, PESCADORAS/ES, CAMPONESAS/ES, RIBEIRINH@S, CATADORAS/ES, ARTESÃS/ÃOS, TRABALHADORAS/ES, ETC.

TEMOS DE DENUNCIAR E NOS ORGANIZAR PRA IMPEDIR O AVANÇO DO CAPITAL SOBRE NOSSAS CABEÇAS, LITERALMENTE…

Aqui fala de Bertioga

Os moradores de Vicente de Carvalho II, em estado de resistência frente a imposição contundente por parte da CDHU, em conversa com algumas das pessoas que participaram de uma estranha reunião fechada, para entrar tinha de apresentar convite com RG e CPF, onde compareceram Rachid, o diretor regional da cdhu e ex-prefeito de Bertioga, Andrea {acho…} advogada da CDHU, Maira, advogada representando a prefeitura, a promotora pública Rosana e seu escrivão e mais uns tantos técnicos e ah, a tv costa norte do já conhecido Zaidan. Segundo os moradores, todos em harmonia para que assinassem o têrmo de adesão, que se resume numa desocupação voluntária {voluntária na base da pressão}.

Após muitos assinarem {hoje arrependidos} o têrmo de adesão, os que não assinaram tomaram conhecimento das condições do têrmo:

Contestam os moradores, o não reconhecimento do direito de propriedade por posse traduzido na cláusula que os obriga a renunciar explicitamente, todos os seus direitos e os que possa vir a ter no bairro Vicente de Carvalho II e sem garantia de uma casa padrão CDHU

Estamos tentando com todo o nosso amadorismo em punho a produzir uma matéria em vídeo, amém

Guarani Kaiowás Urgente!


Car@s Companheir@s,

Hoje, desde cedo a Radio Grande FM, 92,1 fm, de Dourados-MS está veículando informaçoes distorcidas sobre os ataques dos pistoleiros aos indígenas e falando o tempo todo que indígenas da Aldeia Takuara estão matando as vacas da Fazenda Brasilia do Sul, ao lado da Aldeia Takuara. Não sabemos qual a intenção do dono da fazenda, difundindo mentiras, dizendo que ja foram mortas 5 de suas vacas. Pode ser que seja para justificar a presença de jagunços em “sua” propriedade e na estrada, passando pela frente da Aldeia.
Os indígenas pede que tenham o direito a resposta na radio, que tenham espaço para dizer o que realmente está acontecendo na região, ou seja, denunciar o genocidio.

Podemos ter um novo ataque de pistoleiros na aldeia takuara com a desculpa que estao protegendo as vacas do Fazendeiro, o mesmo que mandou assassinar o Cacique Marcos Veron.

Hoje no almoço, os indigenas comeram abobora e mandioca, plantadas em nas roças da aldeia, não havia carne, como pode constatar um funcionario da FUNAI que esteve no local.

Quem tiver contato de Senador ou qualquer autoridade, entrem em contato é dramático!

POR TERRA, TRABALHO E MORADIA! É HORA DE OCUPAR AS TERRAS CAMPO E TERRENOS NAS CIDADES, AS FÁBRICAS FECHADAS E FALIDAS.


  1. Nós do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da fábrica sob o controle dos trabalhadores Flaskô e militantes sem terra de Campinas realizamos no dia 12 de novembro um encontro no qual discutimos a necessidade de nos articularmos e organizarmos nossa luta conjunta dirigida ao governo federal no sentido de apontar as desapropriações como medidas urgentes de nossa pauta de luta.

    A fábrica ocupada Flaskô está ocupada há 8 anos e os trabalhadores lutam para manter seus empregos. Têm sofrido diversos ataques por parte do governo e da justiça em função das dívidas deixadas pelos antigos patrões. Os trabalhadores têm mantido a fábrica aberta e em funcionamento, mas sob ataques cada dia maiores. Por isso é necessário que o governo desaproprie a fábrica e a coloque sob o controle dos trabalhadores. É necessário que o governo desaproprie o terreno onde se construiu a Vila Operária regularizando as moradias. É necessário que o governo desaproprie os galpões da F&aacute ;brica de Cultura e Esporte consolidando um verdadeiro centro cultural público e sob o controle dos trabalhadores da arte e cultura. A desapropriação é a forma de reaver o que os patrões não pagaram, garantido os empregos, as moradias e a cultura.

    Nas cidades, as ocupações Zumbi e Dandara do MTST mostram a disposição de luta dos trabalhadores por suas moradias, mas esbarram na falta de terrenos. É hora de acabar com a especulação imobiliária desapropriando terrenos para construção das moradias para as famílias. No campo é necessário desapropriar as terras para a reforma agrária popular e sob o controle dos trabalhadores.

    Tarefas urgentes estão  colocados para os trabalhadores da cidade e do campo:

    • No campo o governo não deu nenhum passo para a mínima aplicação da constituição desapropriando as terras para a reforma agrária e por entrar para a história como não tendo realizado nenhum assentamento no primeiro ano de governo.
    • Nas cidades as famílias não têm onde morar e pouco se fez no sentido de aplicar as leis, como o estatuto da cidade, que prevê a desapropriação de terras para a moradia de interesse social.
    • Na fábrica ocupada Flaskô os ataques se ampliam por parte do governo e nenhuma medida concreta é adota no sentido de salvar os empregos.
    • Nas fábricas prossegue o processo de ataques aos direitos, com terceirizações e fechamento de unidades produtivas, como resultado a internacionalização das empresas para os patrões ganharem milhões, tudo com dinheiro público do BNDES.
    • A criminalização dos trabalhadores na cidade e no campo a cada dia é maior. Não podemos aceitar as ameaças aos militantes, os processos criminais e, mais do que isso, os assassinatos que prosseguem.

    Por isso, e sabendo que é necessário construir a unidade na luta decidimos organizar um ato unitário em 08 de dezembro no MASP em São Paulo para apresentarmos nossa pauta de reivindicações.

    – Desapropriação já da fábrica ocupada Flaskô

    – Desapropriação já pelas moradias da acampamento Dandara e Zumbi.

    – Desapropriação já por reforma agrária da área da fazenda Boa Vista em Americana – SP

    – Não à criminalização dos Movimentos Sociais.

     

    LOCAL: MASP
    DATA: 08 DE DEZEMBRO às 9 horas
    Às 15 horas: Lançamento da Campanha Sem Teto Com vida

     

    Movimento das Fábricas Ocupadas
    Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
    MST (Regional Campinas)

     

Debate sobre os impactos sociais dos processos de exploração do petróleo e gás


Por Nayara Teixeira

A exploração econômica das fontes de petróleo e gás no Brasil vem produzindo para a população, por meio dos grandes veículos midiáticos, a impressão de que estamos vivendo ou prestes a viver processos de grande desenvolvimento e bonança econômica no país. Recentemente a Região da Baixada Santista tornou-se foco de atenção com as descobertas de fontes de petróleo e gás na camada do pré-sal na Bacia de Santos e com sua exploração a partir de 2009. Experiências como a da região litorânea do Rio de Janeiro (Bacia de Campos), centradas na cidade de Macaé, contudo, servem de exemplo para mostrar que os impactos destes processos podem ser desastrosos para a maioria da população, desmascarando e colocando em xeque o significado deste tão propalado “desenvolvimento”.

Macaé é uma cidade em ebulição. Nos últimos dez anos sua economia crescer 600% e sua população aumentar em mais de 50% (IBGE). Subiu de 55ª para a 8ª cidade no ranking de participação dos pequenos municípios no PIB nacional. Sua renda per capita anual é de R$ 120.612,00. Em 2006 a cidade recebeu R$ 413.116.830, 41 em royalties e participações especiais. O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apontou a cidade como a que mais se desenvolveu na última década no eixo Rio-São Paulo. Macaé está entre as cidades que mais formalizaram trabalhadores, tendo hoje 26% dos empregados com carteira assinada ganhando mais de dez salários mínimos. Tem o segundo maior parque hoteleiro do estado. Seu setor de turismo de negócios cresce de 6% a 9% ao ano, e corresponde a 71% do setor e a 10% do PIB do município (Fonte: Centro de Memória Antonio Alvarez Parada).

O município vem desde a década de 70 com o início das explorações, passando por muitas transformações. Hoje apresenta invejáveis indicadores de riqueza e crescimento econômico e grande investimento em áreas da educação e infância. O desempenho econômico da cidade e a invasão de pretodólares, contudo, não acompanha o investimento no seu crescimento estrutural e o município sofre com as conseqüências de um crescimento desordenado, não planejado, desigual, e sua deficiência generalizada na prestação de serviços públicos e disponibilização de equipamentos comunitários – a Prefeitura conta com 17 mil funcionários e apenas 8 mil são concursados estatutários1. Dados do Censo mostram que Macaé chega a receber uma população flutuante superior a 30 mil pessoas. Todos os dias 5,6 mil visitantes desembarcam na cidade, sendo 14% de origem estrangeira. Em geral chegam à cidade a trabalho, ganham seus dólares, vão embora sem investir no município. Muitas multinacionais que se instalam na cidade já trazem seus profissionais de fora.

Dentre os principais impactos locais sobre a cidade estão2:

  • Invasões em áreas de risco e de Preservação Permanente
  • Surgimento de favelas e de bairros periféricos sem infraestrutura
  • Aumento das demandas por serviços públicos
  • Aumento da violência – tráfico de drogas
  • Aumento do custo de vida
  • Especulação Imobiliária
  • Trânsito – Média de 25 mil carros e 700 caminhões/dia

Impactos nos serviços públicos:

Saúde – Hospital Público Municipal (HPM)

  • 50 mil atendimentos de urgência em 2010
  • Atendimento às populações de cidades vizinhas e de acidentados na BR

Educação

  • Cerca de 3 mil novas vagas/ano no ensino fundamental
  • Investimentos para manter 50/116 escolas da rede municipal em tempo integral
  • Investimentos em ensino técnico e superior
  • Manutenção de serviços de transporte universitário

 

Social

  • Ampliação permanente da rede de assistência social
  • Investimentos para implantação de restaurantes populares
  • Ampliação constante de programas sociais voltados para gestantes, crianças, idosos, mulheres, dependentes químicos, moradores de rua e deficientes físicos

Infraestrutura

  • Demanda para: Habitação, equipamentos públicos e saneamento

Outros riscos e impactos ambientais

  • Vazamentos em alto mar
  • Manipulação, transporte e disposição de resíduos perigosos

 

Outros riscos e impactos ambientais (cont.)

  • Utilização de substâncias radioativas
  • Impermeabilização de grandes áreas
  • Desmatamento e ocupação de Áreas de Preservação Permanente
  • Introdução de espécies exóticas no ambiente marinho
  • Perda de identidade cultural

Impactos na pesca

  • Atividade que mais sofre com a atividade offshore
  • Sísmica
  • Abalroamentos de traineiras
  • Perda de redes
  • Atração do pescado para áreas de exclusão junto às plataformas
  • Descarte de resíduos orgânicos
  • Pesca em área de risco
  • Modificação do ambiente marinho

A experiência da Bacia de Campos já reúne subsídios suficientes para um planejamento mais inteligente e responsável, para que não se arruínem atividades econômicas tradicionais, não se formem bolsões de pobreza nos municípios produtores, não se degrade o meio ambiente, não se exclua o cidadão comum dos benefícios desta atividade, não deixe de fora aspectos importantes como os impactos nos municípios provocados pelos processos migratórios, desemprego, especulação imobiliária, aumento do custo de vida e da demanda por serviços públicos, crescimento desordenado e a retração da atividade pesqueira, experiência que reúne subsídios que devem ser considerados em um, infelizmente improvável, planejamento estratégico do pré-sal (Fernando Marcelo Tavares).

Da mesma forma como aconteceu com a Bacia de Campos nas últimas décadas, com os municípios a reboque de decisões estatais e empresariais sem nenhuma ingerência nos fatos, está acontecendo com o pré-sal, apesar de contar com disponibilidade de tempo para os planejamentos e adequações necessários, atualmente desperdiçado com polêmicas infrutíferas como as que têm sido travadas a respeito dos royalties (Fernando Marcelo Tavares).

Com a experiência de Macaé e da região do Rio, os movimentos sociais da Baixada Santista tem em mãos a oportunidade de refletir a sua própria condição e organizar sua capacidade de enfrentar esta corrida ao ouro que vem atender aos interesses de uma classe sempre privilegiada pelo desenvolvimento capitalista. Como interferir na lógica do maior lucro a partir da destruição e marginalização, fazendo valer os nossos interesses de povo? Como resistir?

 

SEMINÁRIO POPULAR DA BAIXADA SANTISTA – 5 E 6 DE NOVEMBRO DE 2011

REFERENCIAS: Centro de Memória Antonio Alvarez Parada / Os Dois Lados na Nova Macaé. Keisy Bossan Moraes / Nota 13: Impactos sociais do desenvolvimento da atividade de exploração e produção do petróleo (…) norte fluminense. CTPETRO / Oficina sobre Impactos Sociais, Ambientais e Urbanos das Atividades Petrolíferas – o caso de Macaé (RJ), realizada pelo Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, entre 7 e 9 de dezembro de 2010.

1 Reflexões da exploração do petróleo no território fluminense: impactos, normativas e intervenções urbanísticas. Maria de Lourdes Costa, Aline Couto da Costa, Diana Correa da Silva.

2 Impactos locais: A experiência de Macaé. Lições para o pré-sal. Fernando Marcelo Tavares.

A violência do Estado é pra além da USP. No Estado de Rondônia, alunos estão sendo ameaçados, professores universitários presos, deputados agredidos pela polícia federal e jornalistas coagidos por essa mesma polícia.


POst de origem PassaPalavra

A Universidade Federal de Rondônia está em greve há 46 dias e ninguém fora de Rondônia sabe disso.Por Grevista da Unir e Prof. Estêvão Rafael Fernandes

Compartilho com vocês a angústia de estar no estado mais periférico do Brasil. A Universidade Federal de Rondônia está em greve há 46 dias (desde 14 de setembro) e ninguém fora de Rondônia sabe disso. A Reitoria está ocupada pelos estudantes há 25 dias. Ocupada significa fechada.

Um professor de História foi preso arbitrariamente pela Polícia Federal enquanto chupava um pirulito. Os bombeiros condenaram o campus universitário. Os departamentos de Biologia e Química são praticamente bombas-relógio.

Todo dinheiro que entra pelo REUNI some num buraco negro e grande parte das vagas que o MEC manda são ocupadas por favorecidos pela Administração Superior.

Pedimos o afastamento do Reitor, mas ele não renuncia. Pedimos intervenção do MEC, mas demora. Resta fazer pressão e divulgar a greve fora de Rondônia. Aqui temos o apoio da mídia local e da sociedade (que traz comida e diesel pro gerador da Reitoria – cortaram a energia).

Estamos no faroeste.

NOVAS INFORMAÇÕES: UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA PEDE SOCORRO

Caros amigos e colegas,

No Estado de Rondônia, hoje, alunos estão sendo ameaçados, professores universitários presos, deputados agredidos pela polícia federal e jornalistas coagidos por essa mesma polícia.A seguir alguns links para melhor situá-los:

http://www.oobservador.com/nacional/professores-estudantes-e-jornalistas-estao-sob-ameaca-da-pf-em-rondonia-denuncia-movimento-grevista.html

http://candidoneto.blogspot.com/2011/10/prossegue-luta-na-unir-e-policia.html

http://www.sidneyrezende.com/noticia/150527+greve+na+universidade+federal+de+rondonia+nao+tem+previsao+de+acabar

Resumidamente, em meados de setembro deste ano, professores e alunos da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) entraram em greve, não por melhorias salariais, mas por melhores condições de trabalho e estudo.

Vão aí, a título de ilustração, mais dois links com fotos do estado de nosso campus em Porto Velho e um terceiro link, com um laudo técnico do corpo de bombeiros tornado público nesta semana:

Link com fotos 01:
http://www.rondoniagora.com/imagens/exclusivo/UNIR_ABANDONO/pages/index001.htm
Link com fotos 02:
http://www.rondoniagora.com/imagens/exclusivo/UNIR_ABANDONO2/pages/index001.htm
Laudo do Corpo de Bombeiros sobre o campus de Porto Velho:
http://pt.scribd.com/doc/70785551/Laudo-bombeiros

Em resposta a pauta grevista, a administração da Universidade disse que as reivindicações por melhorias não fariam sentido, já que a Universidade, por mais que apresentasse problemas, estava bem, obrigado.

Aos poucos, o movimento dos alunos se transformou em um movimento para afastamento da administração atual, por entender que havia uma série de denúncias (em licitações, obras, recursos, fundação de apoio, concursos públicos, etc.) que precisavam ser tiradas a limpo. Ato contínuo, o movimento grevista montou um dossiê de 1.500 páginas onde essas denúncias eram sistematizadas e foi a Brasilia, encaminha-las ao MEC e a Casa Civil, da Presidência da República.

Na Casa Civil, com todas as letras, ouviram de um assessor que uma vez que a administração atual da Universidade contava com o apoio de um político da executiva nacional do PMDB, base aliada do Governo Federal no Congresso, nada haveria a ser feito.

Há alguns dias a Polícia Federal, em uma tentativa desastrada (e desastrosa) de descoupação do prédio da Reitoria, ocupada por alunos da instituição há quase um mês, acabou agredindo um Deputado Federal que lá estava, tentando negociar (Deputado Mauro Nazif, PSB-RO) e prendendo um professor, que nada fazia a não ser observar a cena.

Já o link abaixo contém uma foto do mesmo momento da prisão onde se vê, de branco, ao centro, o prof. Valdir sendo levado por dois agentes a paisana (um moreno, a esquerda, com uma pistola na mão e outro, a direita, de camisa vermelha, com um cassetete, que daí a alguns segundos seria utilizado para agredir o Deputado Nazif, de camisa azul clara, no alto da imagem, à direita). De laranja, no canto esquerdo da foto, um rapaz que se identificou como agente da PF, carregando uma câmera subtraída de um dos professores que teria registrado parte da confusão):

http://www.rondoniagora.com/noticias/nazif-reafirma-agressao-de-agente-federal-e-identifica-agressor-2011-10-21.htm

Naquela mesma noite o Prof. Valdir foi encaminhado a um presídio comum, chamado “Urso Panda”, onde passou a noite em uma cela.

Alguns dias após o ocorrido, um jornalista local foi coagido por Policiais Federais, por publicar notícias apoiando a greve na Universidade. Veja aqui.

Esta é, basicamente, a situação por aqui: agressão, medo, coersão e ameaças, fazendo uso da máquina pública e de agentes que deveriam proteger-nos.

O que nos parece, aqui em Porto Velho, é que tanto essas ações truculentas quanto a conivência do Governo Federal e a invisibilidade da questão na imprensa nacional se deve, sobretudo, ao fato de nosso reitor ser aliado político e amigo pessoal de membros da direção do maior partido da base aliada do Governo Federal.

Longe de mim acusar quem quer que seja. Afinal, é bem possível que todos os implicados nessa história sejam absolutamente inocentes e/ou tenham agido de boa fé. Entretanto, a única forma de garantirmos transparência no processo de investigação nos fatos aqui relatados divulgando esses acontecimentos junto aos nossos contatos em OnGs, Governo, imprensa, academia e associações científicas.

Saiba mais através do blog do Comando de Grevehttp://comandodegreveunir.blogspot.com/

Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia(CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil

O G20 – o encontro mais poderoso dos governos mundiais


O G20 – o encontro mais poderoso dos governos mundiais — que discutirá a crise econômica global, está sendo financiado por quem? Por bancos e corporações!

Não é a toa que o local do encontro – a cidade francesa de Cannes – está completamente fechado para os cidadãos comuns, enquanto presidentes de bancos e grandes corporações têm acesso total para dizer o que os nossos governantes devem fazer.

As corporações capturaram os nossos governos, recebendo imensos resgates corporativos apesar de destruírem nossa economia. Agora eles estãocomprando seu caminho para a reunião que pode decidir o futuro financeiro da maior parte do globo.

A linha entre o poder das corporacões e um governo responsável é muito tênue. Os políticos ganham dinheiro das corporações para suas campanhas, criam políticas que lhes recompensam quando estão no poder, e então assumem cargos com altos salários logo após deixarem o governo.

Agora, a Société Générale, um banco francês que recebeu um resgate de US$ 12 bilhões há três anos e tem um interesse velado na resposta da Europa à crise do Euro — principal assunto desse encontro–, pagou para ter o seu logotipo em destaque como patrocinador oficial. A Câmara do Comércio dos EUA e seus equivalentes em outros países foram convidados por um para um aconchegante “encontro B20”, no qual os bancos vão dizer aos nossos líderes o que eles pensam.

A crise econômica global resultou da ganância e do interesse próprio. Mas quando as pessoas se sentem sob pressão, elas podem se unir de maneira impressionante, assim como vimos repetidas vezes esse ano. De Wall Street, a Londres, a Melbourne, dezenas de milhares de pessoas estão ocupando as cidades .

No entanto, Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (3) aos demais líderes do G20 que o Brasil está pronto para contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) na busca de uma solução para a crise na Europa. QUE LEGAL! AGORA ADIVINHA COM O DINHEIRO DE QUEM? PRA SALVAR QUEM???

FONTE:  Avaaz